domingo, 15 de maio de 2011

Telefonia celular é campeã de reclamações no PROCON



Ana Luiza Fernandes e Mariele Velloso

O secretário do Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor (PROCON), Eduardo Henrique Gouvêa de Mendonça, relata que a maior parte dasreclamações encaminhadas à instituição são relativas a problemas com telefonia celular, não apenas às operadoras mas também aos aparelhos móveis. “Os aparelhos celulares vêm com muitos problemas, e a assistência técnica demora a consertar pela grande demanda.

Se o celular ficar um período acima de 30 dias na assistência técnica, o cliente tem direito a um novo aparelho. E é aí que há a confusão. “conta.


Gouvêa garante que 98.75% das reclamações dos consumidores são-joanenses foram resolvidas no período entre janeiro de 2010 e maio de 2011. Gouvêa informa também que nos últimos 16 meses, foram registradas 4.944 reclamações e, a maioria, resolvida pelos funcionários da instituição através do telefone. Se essa medida não for suficiente, a empresa é intimada a comparecer ao PROCON para uma audiência de conciliação junto com o cliente. “É muito difícil um caso chegar à minha mesa, porque meus atendentes geralmente conseguem a queixa do consumidor” esclarece o secretário.

O assistente de administração, Eli Castanheira, conta que é a segunda vez que recorre ao PROCON. Desta vez, o motivo é uma cobrança indevida. “Da outra vez que estive aqui, eles resolveram meu problema depressa, cerca de 15 a 20 dias. Dessa vez eu espero que seja rápido também. “disse. O Secretário afirmou também que o maior percentual de reclamações (43,37%) está relacionado a bens de consumo, como geladeiras, fogões, eletrodomésticos em geral, além dos telefones celulares. Em segundo lugar, vêm os assuntos financeiros que abrangem empréstimos em bancos e financeiras. Grande parte dos consumidores tem facilidade em conseguir crédito, mas muitas vezes não conseguem quitar a dívida e recorrem ao PROCON para que esse débito seja negociado.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Academia high-tech: aparelhos modernos buscam transformar o mínimo de esforço no máximo de resultado

Ayalla Nicolau e Rafaela de Aguiar

Entre pesos e colchonetes, o aparelho conhecido como Elíptico ou Transport chama a atenção dos que gostam de aeróbica e é o preferido da dona-de-casa Lídia Oliveira: “fico menos cansada com ele, mas sinto que vale a pena”, afirma. O diferencial deste equipamento, segundo a personal trainer, Thaís Silva, é que ele oferece exercícios sem impacto: “Ele permite desde o alongamento a exercícios mais elaborados. São programas de resistência que trabalham os membros superiores e inferiores, além de ser também um ótimo exercício cardiovascular”. Essa é apenas uma das novidades que invadiram as academias nos últimos tempos e que levam cada vez mais pessoas a praticar exercícios.

Debaixo d`água
Quem nunca viu pode até achar estranho, mas, uma modalidade cada vez mais comum em academias é o Water Bike. Além do emagrecimento, esse exercício também é utilizado para reabilitações ortopédicas e gestacionais e é bastante indicado para diminuição das dores nas articulações. “No water bike misturamos técnicas de hidroginástica com outros equipamentos. Temos a modalidade de ciclismo, de remo e step. Tudo isso com impacto reduzido e resultados mais satisfatórios”,explica a professora de Educação Física Gabrielle Any.

Além dos aparelhos, os acessórios também se modernizaram. Os cardiofrequencímetros, por exemplo, supervisionam com precisão os batimentos cardíacos durante e depois da prática esportiva. “É indispensável para sabermos a intensidade de exercícios ideal para o nosso corpo. Estou louca para comprar um” afirma a estudante de Educação Física da Universidade Federal de Ouro Preto, Priscila Menezes.
Menos esforço, mais resultado

Marcos Antônio Fernandes, professor de história, faz 15 minutos de eliptico diariamente

Com equipamentos dotados de painéis digitais coloridos, simuladores de ambientes, luzes de led e música, as academias se transformaram em ambientes modernos que oferecem mais conforto e segurança aos clientes. A evolução dos aparelhos é notável: “se compararmos uma academia de 2006 com uma de 2011 percebemos a diferença, principalmente na praticidade e na efetividade dos equipamentos”, analisa Priscila. Segundo Gustavo Lima, dono de uma academia de ginástica, as novidades acabam se transformando em lucro. “Investimos nisso para atrair um público maior. Gente que não se interessava passou a frequentar nossa academia só por causa das novidades”, explica.
As maiores novidades, entretanto, só estão disponíveis nos grandes centros, como o Power Plate, um dispositivo vibratório que utiliza os princípios de Acceleration Training (Formação de aceleração ou treino acelerado) que consiste em uma contração muscular partindo de um estímulo vibratório da plataforma. Com o mínimo de esforço sendo transformado em máximo de resultado, não é à toa que as salas das academias estejam cada vez mais cheias.

Em São Tiago, jiu-jitsu forma campeões no esporte e na vida

Por Michele Santana e Marcus Santiago

Ritmo, disciplina e técnica. Esses são alguns dos princípios fundamentais do jiu-jitsu e que Fábio Costa, lutador e professor de jiu-jitsu de São Tiago, sempre ressalta. Três vezes por semana, Fábio treina crianças e adultos em um salão transformado em academia, com o intuito de transmitir as técnicas e singularidades do esporte.
           Fábio, que começou a prática há dez anos, criou o interesse pela modalidade quando assistia a programas de lutas na televisão. “Até descobrir o jiu-jitsu não me identificava com as modalidades esportivas tradicionais. Como fiquei muito interessado por essa arte marcial, fui procurar o lugar mais próximo que a oferecia. Encontrei em São João del-Rei uma academia e comecei a praticar”, comenta.

Além do esporte, Fábio fez do Jiu-jitsu um projeto social
           Com os incentivos constantes de seu treinador para levar o jiu-jitsu para São Tiago, Fábio começou a divulgar na cidade que montaria uma academia e os primeiros interessados, ainda tímidos, apareceram. Naquela época, apenas dois alunos se dedicaram aos treinos e hoje, depois de seis anos, a academia tem 40 alunos.
No começo, o professor conta que foram muitas as dificuldades. “Quando comecei os trabalhos em São Tiago as pessoas me olhavam de uma forma discriminadora já que muitos pensavam que o jiu-jitsu era um esporte violento”, afirma. Apesar disso, Fábio continuou lutando. “Eu queria mostrar às pessoas como era saudável e não violento praticar o jiu-jitsu e oferecer uma modalidade esportiva diferente das que a maioria das pessoas pratica”, lembra. 

Títulos

Campeão mineiro de 2010, na modalidade meio pesado, Fábio e seus alunos começam a colecionar os primeiros títulos. André Viana, por exemplo, de apenas 18 anos, já venceu três campeonatos, o Sul-Americano em São Paulo, e dois em Minas Gerais.
Roberta Viana, irmã de André, conta que quando o irmão começou a praticar o esporte a família achou estranho. “Nossa concepção sobre o jiu-jitsu era de uma prática violenta, se preparando somente para brigar. Hoje entendemos que, para ele e para nós, é algo interessante, pois trabalha a técnica e a mente. Antes André era tranqüilo, na dele. Com o jiu-jitsu, passou a ser uma pessoa concentrada, mais responsável e disciplinado e também foi despertado para a prática de outros esportes”, analisa.
Outro aluno vencedor de competições é Eduardo Lara, de 15 anos, que foi também um primeiros alunos de Fábio. “Me interessei pelo jiu-jitsu porque Fábio morava perto da casa de uma tia e ao ouvir falar sobre essa novidade ‘diferente’ achei que seria interessante praticar, já que sempre gostei de esportes”, explica.
Ele, que já participou de vários campeonatos e ganhou seis títulos: bicampeão mineiro, bicampeão interestadual, Campeão da Copa Estrada Real e Campeão da Copa Barbacena, diz que a disciplina e a convivência são aprendizados que adquiriu com o jiu-jitsu e que a família, embora no começo achasse estranho, o apóia e incentiva sempre.
Tobias foi campeão mineiro em 2010
Já Tobias Carvalho, de 24 anos, pratica há dois anos e meio e se interessou porque amigos comentavam e queria experimentar algo diferente. Já participou de vários campeonatos e ficou com o 2º lugar no Campeonato Mineiro de 2010. No começo, ressalta que a família achou que era um esporte muito violento, mas que agora apóia e entende o interesse de Tobias. “O jiu-jitsu faz com que a gente se torne mais calmo e controlado. Hoje sou mais disciplinado e também com os treinos fujo da rotina estressante de todos os dias”, finaliza. 



Trabalho com crianças carentes

            As vitórias de Fábio vão além dos tatames. Além dos alunos regulares, trabalha também com crianças carentes. “Por ser um esporte que desperta a atenção da criançada resolvi então oferecer aulas para a comunidade carente. Até para as crianças que têm poder aquisitivo, mas seus pais não valorizam, abri espaço”, comenta.
Como precisava de um local para desenvolver esse projeto, Fábio procurou a creche da cidade, onde já havia um trabalho voluntário, onde crianças carentes recebiam refeições de graça aos sábados. Quatro anos depois, a parceria se revela em números: 80 meninos e meninas são beneficiados. “As crianças valorizam muito meu trabalho e tenho uma grande satisfação em poder transmitir os ensinamentos que aprendi com o jiu-jitsu”, conclui.
Algumas dessas crianças já participaram de competições realizadas entre a equipe da academia e outras cidades e dez dos alunos conseguiram concorrer e ficar classificados nas finais recebendo medalhas. Para apoiar o projeto Fábio conta com o patrocínio Prefeitura Municipal e de outras entidades de São Tiago.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dia das mães movimenta comércio e une mães e filhos

Bruno Ribeiro e Marcelo Alvarenga
Véspera do dia das Mães o comércio de São João del-Rei funcionou até mais tarde. O movimento foi grande.

Antes da festa, Célia de Carvalho e a filha Michele de Carvalho trabalharam juntas na floricultura



Tauane no colo de Maria Clara: viagem para ver a vovó.



Patrícia (dir) entrega presente para a mãe Edilaine


Mariângela comemora o seu primeiro dia das Mães com o filho Cristian: amor incondicional.


Confira um vídeo em homenagem ao dia das mães


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Câmara promete rever filiação da cidade ao Circuito Trilha dos Inconfidentes

João Eurico e Quéfrem Vieira

Até o final do mês de maio, a Câmara Municipal de São João del-Rei deve reavaliar a filiação da cidade ao Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, uma associação que reúne 20 municípios da região. A garantia foi dada na última reunião, dia 27 de abril, depois do Legislativo ter votado contra a permanência de São João Del Rei na entidade. Na época, a vereadora Silvia Fernanda (PMDB) chegou a dizer que o Circuito funcionava como “cabide de empregos”.

O assunto foi colocado em pauta quando o Circuito decidiu aumentar o preço da filiação do município – de R$ 400 para R$ 680 – valor que não sofria reajuste desde 2000. O presidente do Circuito e prefeito de São Tiago, Denílson Silva Reis (PSDB), que se encontrou com os vereadores na audiência de 27 de abril, explicou que a cidade só tem a perder caso não participe do repasse de manutenção do circuito. “Acho que houve um desencontro de informações na última reunião. Os vereadores não en
tenderam a função do circuito e por isso votaram contra”, disse.

Foto: Quéfrem Vieira
Denílson acrescentou que o Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes é uma instância de Governança Regional para o desenvolvimento do turismo, um órgão ligado ao Governo de Minas e que tem como função organizar, estruturar e fomentar o turismo regional. O prefeito disse ainda que a participação no Circuito é fundamental para que o município receba do Estado o ICMS turístico (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), valor que para São João del-Rei pode chegar a R$15 mil por mês.

Mariana Resende, gestora da associação, explicou, ainda, que o Circuito é um “braço do Estado” na região, e que toda ação estadual voltada ao turismo, que será executada pelo município, passa pela associação antes. “Ou seja, diferentemente do que foi citado na Câmara, semana passada, o Circuito não é uma ONG, e sim uma associação de municípios, necessária perante o governo do estado”.

A gestora esclareceu também que o Circuito Trilha dos Inconfidentes promove inúmeras atividades na cidade e região, como palestras e cursos de capacitação, além de participação e organização de eventos culturais como o Inverno Cultural da UFSJ e do Projeto Escadaria – que visa apresentar a arte e cultura dos quatro cantos de Minas Gerais.

Mudança de opinião

Depois da reunião do dia 27, os vereadores se mostraram favoráveis ao Circuito. A vereadora Vera do Polivalente (PT) se disse chateada com a confusão: “realmente, na hora que votei contra, eu não tinha conhecimento do assunto, mas agora dou apoio total e qualquer projeto referente estarei aprovando”.

Outra vereadora que mudou de opinião foi Silvia Fernanda (PMDB), que também havia votado contra a participação da Prefeitura na Associação: “eu puxo para mim a responsabilidade pela não aprovação na semana passada, pois a impressão que eu tinha da Trilha era completamente diferente, e acabei influenciando meus colegas. Agora eu sei que a associação está em boas mãos e dou o meu apoio”, promete.

O secretário municipal de Turismo, Ralph Justino Araújo, que também esteve na audiência pública, disse que “o Circuito é o maior parceiro da Secretaria de Turismo e merece reconsideração por parte da Câmara”.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Gastronomia também é patrimônio São-joanense

Por Thayná Faria e Rômer Castanheira

A receita do sucesso gastronômico de São João Del-Rei não é nenhum segredo de nenhum gourmet. O ingrediente principal são os simpáticos personagens que tem o dom de encantar, e claro, dominam a arte da culinária mineira, desde os pratos principais às sobremesas.

Beijo Quente de Dona Geralda
Dona Geralda de Azevedo trabalha na porta do Cine Glória há 25 de seus 56 anos. Ela vende “Beijo quente”, doce que aprendeu a fazer com os sogros. Na verdade foi desafiada a aprender a receita e sair à rua para vender: “Era uma família de ambulantes aquela, e eles não achavam que eu teria coragem de ir pra rua vender doce, mas eu fui”, conta. E esse é até hoje seu trabalho.
Beijo Quente, uma tradição de 25 anos
No início a receita não dava certo, o doce às vezes passava do ponto ou até queimava. Foi difícil chegar ao padrão de qualidade pelo qual é reconhecido hoje. Dona Geralda, com o tempo, foi acrescentando seu toque à receita dos sogros. Canela é um dos ingredientes incorporado com sucesso e, de vez em quando, ela substitui amendoim por côco. A doceira sabe fazer o Beijo Quente de várias formas, uma bem diferente da outra “até com chocolate dá pra fazer, mas não uso porque algumas pessoas têm alergia, sabe?”, diz. 
Quase toda família da doceira trabalha nessa área: o marido Jorge vende milho cozido na Avenida Presidente Tancredo Neves há mais ou menos 25 anos. As filhas Elza e Josimara também vendem doce na mesma região. Dona Geralda conta que começou em eventos na porta do Minas, estádio de futebol local. Logo a concorrência aumentou e ela percebeu o grande movimento no cinema, até então o único da cidade, e decidiu fixar-se ali.
Mãe de cinco filhos, ela diz que o doce é sua única fonte renda. Em dias de muito movimento chega a vender 100 saquinhos de Beijo Quente. Dona Geralda trabalha de segunda a segunda, seis horas por dia, em pé. E isso não cansa? Sorrindo, ela diz que sentiria falta de trabalhar se tivesse que ficar em casa. Já se acostumou com a rotina que lhe permite conhecer pessoas e até fazer alguns amigos. “Tem gente que pára, compra um doce e fica conversando. Até aproveita pra pedir conselho sobre vida conjugal, essas coisas, vê só”, relata sorrindo.

Pastéis de Seu Pedro
De carne ou queijo e, no período de semana santa, de bacalhau. O pastel mais antigo de São João Del-Rei já é patrimônio cultural da cidade. Produzido há 48 anos por Pedro Eduardo Assunção, 73, o Seu Pedro, tem na qualidade e no carinho o segredo do sucesso. A carne do recheio, por exemplo, é moída pelo próprio pasteleiro, que confessa que o ofício se tornou uma paixão: ”só vou deixar de fazer pastéis quando morrer”.
A arte de fazer pastéis, Seu Pedro aprendeu com o pai
Seu Pedro diz que fazer parte da história de São João Del-Rei como um patrimônio vivo da cidade é trabalhar sempre com vontade e persistência. “No inicio do meu trabalho, os pastéis eram feitos manualmente em todas as etapas. Rodava o cilindro no braço e a amassadeira era com rolo, hoje ambos são elétricos, o que facilita muito”, explica.
Ele conta que a única coisa que conseguiu fazer na vida foi pastel e que desde os cinco anos saía com seu pai pelas ruas de Dores de Campos vendendo o salgado em estabelecimentos e casas. O pai é uma lembrança muito forte, foi quem o incentivou a investir na fabricação dos pastéis e ensinou o valor do trabalho.
Pedro faz a massa várias vezes por dia, de acordo com o movimento. Ele conta que a venda do salgado já foi maior. Lembra que, há alguns anos, a cidade só tinha duas pastelarias, “uma delas era a minha”, mas hoje a concorrência aumentou, são mais de dez. Mesmo assim, o pasteleiro conta que muita gente vem de bairros distantes para comer o salgado.  “Sinto que o movimento é 20% menor do que era nos anos 60 e 70”, avalia.

Churros, pipoca e sorvete na Avenida
Rinaldo trabalha na Av. Tancredo Neves há 30 anos
 Rinaldo Fernandes trabalha vendendo guloseimas na Avenida Presidente Tancredo Neves, no centro da cidade, há 30 anos. O negócio começou com o pai, Alain José Fernandes, que veio de São Tiago especialmente para assumir a barraquinha que até então estava alugada para outra pessoa. Vendia apenas pipoca, mas, com o tempo ampliou os negócios, com uma máquina de churros e outra de sorvete.
Quem ensinou Rinaldo a fazer churros foi o antigo responsável pela máquina, para quem o pai a havia emprestado. A produção varia de acordo com a época do ano: “No verão vendemos mais sorvete; o churros, com doce leite, sabor tradicional, é mais popular no inverno e a pipoca a todo tempo”, diz.
Para completar a renda, Rinaldo ainda trabalha com a reforma de pisos, mas explica que nem sempre tem serviço, o que não acontece com as vendas.  O sucesso, garante, vem da persistência e do gosto pelo que faz, “faça chuva, faça sol, estou aqui” comenta o vendedor que trabalha, diariamente, das 8 às 22 horas. “Sai de São Tiago e vim para São João Del-Rei e desde então não saio daqui. Gosto muito da cidade, gosto do povo sanjoanense”, finaliza.



*Foto do Seu Pedro por Nathanael Andrade (2008)


quarta-feira, 4 de maio de 2011

O aumento da violência doméstica em São João del-Rei

Suellen Passarelli e Talita Andrade

Segundo dados da delegacia de São João Del rei, no ano de 2005, foram registrados 417 casos enquanto em 2010 houve a ocorrência de 710 casos. Porém, a delegada de Crimes contra a mulher de São João Del-rei Marilda Solange Vieira de Lima afirma que, “na verdade, a violência doméstica não aumentou, as mulheres que começaram a se sentir mais protegidas e passaram a denunciar mais”.
A Lei 11.340/2006 do Código Penal, a Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. As vítimas passaram a ter uma maior assistência e prevenção em situações de risco. De acordo com Pesquisa Instituto Avon/ Ibope sobre a violência domestica contra a mulher no Brasil em 2009, 80% das mulheres entrevistadas tinham algum conhecimento sobre a lei e 55% conhecem pelo menos um caso de violência contra a mulher.
Com a instauração da Lei Maria da Penha, depois que a violência é denunciada, é realizado um auto de prisão em flagrante onde o autor é encaminhado para a delegacia, podendo responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança. As penas variam de três meses a oito anos, dependendo do crime cometido.
Ainda de acordo com a pesquisa do Instituto Avon/ Ibope, o alcoolismo é a principal causa das agressões, seguida do sentimento de dominação masculina, valor imposto pela sociedade. A dona de casa conta que seu companheiro tem um comportamento tranqüilo, e que não se altera facilmente, mas basta um copo de bebida para que ele se torne outra pessoa e comece as agressões.
A violência pela qual é exposta ocorre das formas mais variadas, desde humilhações verbais até tentativas de homicídio. “Na maioria das vezes são chutes, socos. E houve uma vez em que meu companheiro me agrediu com uma barra de ferro da piscina. Ele me agride em lugares onde as marcas não aparecem.”
Além das humilhações sofridas com as agressões, a mulher passa por momentos constrangedores ao fazer a denúncia, é o que afirma a dona de casa C. N., que ao denunciar o seu agressor não teve a atenção necessária, já que foi tratada de forma indiferente pelas autoridades: “Me trataram como se eu quisesse apanhar, dando razão ao meu companheiro.”
Segundo a delegada, os crimes de violência doméstica mais comuns são as ameaças, com pressões psicológicas e os de lesão corporal, todos cometidos em sua maioria por maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados e ex-namorados das vítimas.

Divino Sabor da Tradição Mineira

A planta é repleta de espinhos
 Adriano Moura, Ana Gabriela e Wanderson Nascimento
Ele é um alimento de alto valor nutricional, produz ornamento exuberante e cerca viva intransponível. Tem baixo custo e é de fácil acesso e cultivo: o ora-pro-nobis, ou Pereskia aculiata, é uma trepadeira que faz parte da tradição mineira. A planta pertence à família dos cactos, nativa da região que vem desde a Flórida até o Brasil e, como dizem os mineiros, ‘ é como mato, dá em qualquer lugar’.
O chef de cozinha João Lombardi explica que a hortaliça está presente na culinária mineira tanto em pratos simples quanto em sofisticados. Ele conta que, de acordo com a tradição local, “a planta existia em abundância cercando a igreja Matriz Santo Antônio de Tiradentes, mas o padre não permitia que ninguém a colhesse. Na hora da missa, as pessoas aproveitavam para colher a folhinha enquanto o padre rezava a ladainha do ora-pro-nobis, orai por nós em latim”.
O garçom Ailton colhe a planta no próprio restaurante
No restaurante de Lombardi, de mesmo nome da planta, o ora-pro-nobis acompanha receitas de frango, o mais tradicional e mais pedido, costelinha, risoto, caldo de milho verde, batizado de milhonóbis, entre outros. Segundo ele, a procura pelos pratos é grande e a maioria dos clientes é de fora

Assista ao vídeo em que o chefe prepara o tradicional frango com ora-pro-nobis.

A dona de casa Maria de Lourdes Giarola tem uma muda do vegetal na horta e diz consumir com moderação no dia-a-dia. “Nós não comemos muito, porque dizem que faz mal para os rins e porque é muito quente. Eu costumo fazer para as visitas e geralmente preparo refogado com frango ou com carne moída, pimentão e tomate”, afirma.
O frango com ora-pro-nobis depois de servido
A nutricionista do Posto Central de Saúde de Santa Cruz de Minas, Thaís Cristiane Fuzatto, explica que a planta não faz mal à saúde. “É como se estivesse comendo alface todo dia”, afirma. Entretanto, ela ressalta que o excesso da hortaliça não é recomendado àqueles que tenham pré-disposição a problemas renais. “O excesso de proteína, cálcio e fósforo vão acentuar o funcionamento dos rins e dificultar a filtração glomerular [filtração dos rins], com aumento das escórias nitrogenadas, como uréia e creatinina, e outros compostos nitrogenados.” A dificuldade em filtrar o sangue gera o problema renal.
A dona-de-casa Maria de Lourdes e sua muda de ora-pro-nobis
De acordo com Fuzzato, o ora-pro-nobis tem 25% de proteína de alto valor biológico, o que significa que uma alta porcentagem, 85%, dessa proteína é digerida pelo corpo humano. Além disso, é rico em vitaminas A, B e C e minerais, como cálcio, fósforo e ferro.
Ela concorda com aqueles que defendem o uso da planta como complemento alimentar na dieta do brasileiro, mas ressalta que “só o ora-pro-nobis não vai curar a fome de ninguém.” Thaís lembra que, por ele ser rico em proteína e ferro, é um bom auxiliar na luta contra a anemia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Arte, sustentabilidade, criatividade e iniciativa

Luis Gustavo Santos e Violeta Cunha

   Foto: Luis Gustavo
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Parte do cenário da peça Retratos Insustentáveis
Vários guarda-chuvas de cabeça para baixo. Roupas penduradas no teto. Uma porta solta no meio do salão. Um manequim nu ao piano. Malas de viagem. O cenário, à primeira vista caótico, foi apenas parte da Mostra Movére Apresenta, que usou a arte para discutir a questão da sustentabilidade. O grupo, que existe há dois anos, trouxe à cena, ainda, cinema, música, performances, artes plásticas, teatro e palestras.

Montada no Solar da Baronesa, a mostra foi um trabalho inédito e nada convencional. O que a princípio parecia uma confusão, vai ganhando sentido conforme os atores vão interagindo com o público. Para o diretor do grupo, professor Adilson Siqueira, “a proposta é inspirada em uma ação eco poética que visa promover uma mudança cultural e social gerada a partir da emoção”.
Por acreditar que as artes - em especial as cênicas - podem contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável, o grupo resolveu investir nessa parceria entre o teatro e a conservação do meio ambiente. “O Movére está se constituindo numa plataforma inovadora para o desenvolvimento de uma arte cênica que promova a mudança cultural em direção à sustentabilidade, visando à evolução de nossas sociedades e estilo de vida”, afirma o professor do Teatro.

As instalações no Centro Cultural da UFSJ compõem o cenário da peça Retratos Insustentáveis, adaptação do texto “A partida”, de Daniela Kisrt, com relatos colhidos pelo NINJA - Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental da UFSJ. Segundo a estudante de teatro Taíssa Gomöry, que é membro do Movére e atua na peça, os relatos são reais e narram os conflitos enfrentados por pessoas da região que tiveram problemas com o uso irresponsável dos recursos ambientais por empresas, governo e civis. “Alguns perderam casa e família”, explica.

   Foto: Luis Gustavo
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O público se mistura aos atores e cenário
A peça surpreende por sua estrutura incomum, em que o público não fica sentado assistindo e interage diretamente com o cenário e com os atores, além de um texto tocante. Maria Teresa Cardoso, estudante do curso de geografia, que assistiu ao espetáculo diz ser “a primeira vez que assisto a uma apresentação onde estivesse tão perto dos atores, e essa aproximação deu outro ar à peça. No começo tive um estranhamento e não sabia onde ficar, mas depois percebi que fui me misturando ao lugar e aí entendi a proposta”.

A mostra teve ainda filmes, animações e curtas metragens com temática ambiental, como Cartas da Terra, A História das Coisas, Ilha das Flores e Estamira. Além disso, contou com apresentações de artistas locais como o Grupo Xamã, com a performance Number 9, Ogã Elerson do Carmo Soares e Grupo Raízes da Terra, com dança e percurssão. Segundo o Ciro Augusto Canton, professor de história, “São João precisa de outras iniciativas como essa. Sustentabilidade é assunto sério e precisa ser mais discutido. Utilizar a arte para esse debate é maravilhoso!”.
Foto: Luis Gustavo                
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A palestrante Profª. Filomena Bomfim
O artista Bruno Padilha apresentou a performance “Asfixia” em que trata da questão lixo e meio ambiente e emocionou o público. As atividades foram encerradas com palestra da professora Filomena Bomfim, do curso de Comunicação Social – Jornalismo sobre “Mashal MacLuhan e a Sustentabilidade: uma abordagem transdisciplinar”. Segundo Filomena, o teórico canadense teve uma formação transdisciplinar que o encaminhou à postura comprometida com a sustentabilidade.
A direção geral do Projeto é do professor Adilson Siqueira, com curadoria do aluno de Arquitetura Bernardo Neves de Paula, auxiliado pelo aluno do mesmo curso, César Peretti. O cenário e as instalações são da artista Débora Castro.

Movére: Artes Cênicas, Performance e Sustentabilidade

O Movére iniciou seus trabalhos em outubro de 2009, através da iniciativa do professor Adilson Siqueira, atual coordenador da equipe. O Movére, um dos subgrupos do Grupo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes, Culturas e Sustentabilidade, ligado ao Departamento de Letras, Artes e Cultura da UFSJ, realiza estudos e pesquisas envolvendo técnicas, dramaturgias corporais e dança-teatro baseadas na sustentabilidade, pretende criar uma nova “eco poética” para o trabalho dos atores.

Adilson explica que “o termo ‘sustentabilidade’ expressa a conexão intrínseca entre justiça social, paz, democracia, autodeterminação e qualidade de vida e, para poder atingir estes objetivos, é necessário uma estratégia cultural baseada no pressuposto de que media, artes, educação, comunicação, organização e também as emoções desempenham papel decisivo nesse processo de mudança”.

Tais temas têm sido abordados pelo grupo desde a perspectiva dos conflitos éticos, emocionais, profissionais, psicológicos e legais que envolvem os humanos em suas relações com a presente cultura de insustentabilidade.

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