domingo, 22 de maio de 2011

A Tradição e Beleza da Ourivesaria Artesanal

Foto: Violeta Cunha

Ana Luiza Fernandes e Mariele Velloso

O homem sempre se sentiu atraído pelas pedras preciosas, pelos metais brilhantes e mais raros, e usou a ourivesaria para louvar seus deuses e se enfeitar. Seja na antiguidade ou nos tempos atuais, a busca do ornamento para realçar a beleza faz parte da história da nossa sociedade. Foto:Ana Luiza Fernandes

Em São João del Rei, a ourivesaria está presente não só nas joalherias, mas também na produção artesanal de peças que vêm ganhando a confiança dos clientes e espaço no mercado.

O ourives Atahualpa Yupanqui (foto) conta que “é comum pensar que a fabricação de jóias em grande escala vai acabar com a produção artesanal. Mas a valorização do trabalho artesanal é crescente pela possibilidade de se criar
uma peça única, exclusiva.” Em sua oficina, ele trabalha principalmente com por encomenda, e convida o cliente a participar do processo de criação e influenciar no resultado final. “A presença do cliente é imprescindível para que a jóia seja feita de acordo com sua preferência” afirma.
A ourivesaria artesanal é o ofício também de Inácio Missagia (foto abaixo), que diz que a maioria dos seus clientes são atraídos não só pela beleza das peças.“ As minhas peças são procuradas também pelo valor, que é inferior em relação às peças de joalheria. Os clientes costumam ficar muito saitisfeitos com as jóias" garante. Foto: Mariele Velloso

A escolha das pedras preciosas é outro diferencial. Como o Brasil é rico em pedraria, há muitas opções. Atahualpa e Inácio trabalham com a Água Marinha, Topázio Imperial, Ametista e Granada, que têm grande valor comercial. “Procuro informar meus clientes s
obre a propriedade de cada mineral, de cada pedra, no momento da escolha da peça. E para isso recorro a pesquisas que estudam as reações dos minerais sobre o corpo humano” disse Atahualpa.

Apesar de trabalharem como as mesmas pedras, cada ourives usa uma técnica diferente. Inácio aposta na riqueza de detalhes do estilo rococó e aplica as pedras com solda. Já Atahualpa confere um estilo contemporâneo às suas criações, com a técnica da forja que crava as pedras através da pressão, sem o uso de soldas.

A arte da ourivesaria é para os ourives mais que um ofício, é uma paixão. Ambos concordam que a inspiração é a parte importante na produção das peças. “A fabricação de jóias é um trabalho de composição, precisa-se executar desde o design até a produção final da jóia. Essa relação é semelhante àquela que os demais artistas têm com a arte”, revelou Atahualpa.

Foto: Violeta Cunha

Tradição do Ofício

A ourivesaria é uma arte muita antiga, há registro de sítios arqueológicos no mar Egeu de 2500 a.C. No Egito já se produziam trabalhos altamente detalhados e os profissionais obtinham inegável prestígio perante os reis e toda a corte.

Existem hoje cursos de ourivesaria que capacitam cidadãos a exercer o ofício. “Eu fiz um curso, me apaixonei pela arte, e aperfeiçoei com a ajuda de um amigo”, explica Inácio. Já Atahualpa diz ter tido a sorte de aprender à moda antiga com o pai, um argentino que aprendeu o oficio na juventude e passou a tradição aos seus filhos. Com descendência da civilização Inca, o ourives revela: “Eu carrego a tradição da cultura andina. A relação do povo com as jóias não era uma relação de ostentação de riqueza, mas sim uma valorização da beleza que lembrava o Deus Sol”.

Foi o estilo contemporâneo das jóias de Atahualpa que atraiu a atenção de Rafael Honório, que encomendou suas alianças com o ourives. “Eu achei interessante porque pude participar do processo de composição das jóias, ficou exatamente como eu queria, fiquei muito satisfeito. A gente acaba desenvolvendo um sentimento pelas peças produzidas exclusivamente pra gente, personalizada.”contou o consumidor.


sábado, 21 de maio de 2011

Marcha Nacional quer que homofobia seja crime

Segunda Marcha Nacional Contra a Homofobia em Brasília
                                                                                                                                         Ana Gabriela Oliveira


Manifestantes de todo o país protestaram nesta quarta-feira (18), em Brasília, em favor da aprovação no Congresso do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122, que torna crime os atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.

A II Marcha Nacional contra a homofobia foi organizada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Os manifestantes se concentraram em frente à Catedral de Brasília e seguiram em passeata até o Congresso Nacional.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

São-joanenses discutem aprovação do Cadastro de bons pagadores

Alisson Reis e Marcos Paulo Andrade

            “Quem não está no SPC, terá os mesmos direitos e vantagens dos que estão no Cadastro Positivo?”. A dúvida do Secretário Municipal do Procon de São João del-Rei, Eduardo Mendonça, é apenas uma das que estão surgindo com a possível aprovação do Cadastro Positivo de Consumidores (CPC). O projeto, que agora só depende da aprovação da presidente Dilma Rousseff, terá funções opostas à lista do SPC, ou seja, ao invés de dificultar, promete facilitar o poder de compra dos bons consumidores.
            O motorista e ex-comerciante Sérgio Murilo de Carvalho afirma que já ouviu falar do projeto. Para ele há uma grande incoerência nesta iniciativa política. “Se já existe o cadastro negativo, o SPC, onde se encontram os maus pagadores, para que se criar um cadastro positivo para aqueles que não estão com nome sujo na praça, se estes já são naturalmente positivos?”, indignou-se o motorista que suspeita de todo novo projeto político e preferiria uma reforma no SPC. Já a secretária da Fundação Bradesco, Adriana de Assis Lancetti, vê com bons olhos o CPC. “Espero ter mais facilidades quanto a parcelamentos e juros mais baixos na hora da comprar”, explica.

Comerciante Geraldo Rodrigues comnta o CPC
            Comerciantes do bairro de Matosinhos, Geraldo Rodrigues e Sara Aparecida Rosa acreditam que qualquer iniciativa em favor dos bons pagadores é válida. “Já tratamos os inadimplentes com paciência e educação. Quanto aos clientes positivos, estudaremos a ampliação de parcelas e redução de juros na hora da venda”, afirmou Geraldo Rodrigues, proprietário de uma loja de bicicletas. “Aqui na loja, nosso baixo índice de inadimplência é obtido graças a nossa rigidez com relação ao assunto. Para os clientes do cadastro positivo ainda vamos avaliar as vantagens que poderemos oferecer”, disse Sara Rosa, proprietária de uma loja de roupas e calçados.


Benefícios do novo cadastro

            O assessor jurídico da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del- Rei), Júlio César Trindade, explica que o CPC vai disciplinar a implantação de crédito para pessoas jurídicas e físicas. “O principal objetivo do cadastro positivo é diminuir as taxas de juros nas operações de empréstimo e tem o poder de disciplinar a avaliação de risco a risco, ou seja, visa analisar o perfil de cada  um mutuante”.


Sandra, gerente do SPC


            Segundo a gerente do SPC de São João del-Rei, Sandra Cristina Rodrigues, com a aprovação do Cadastro Positivo ocorrerá uma redução nas taxas de juros, na inadimplência e nas perdas financeiras. “Também, irá facilitar o acesso ao crédito junto aos fornecedores e o aumento dos volumes negociados”, conclui.







Inadimplência em São João

            De acordo com dados da ACI del Rei, houve uma queda de 9,33% nas inclusões de SPC, e aumentaram em 58,09% os cancelamentos. Em março do ano passado foram constatadas 1.898 inclusões de SPC. Em contrapartida,  no mesmo mês deste ano foram detectados 1.721  ingressos. Um detalhe curioso apresentado pelo SPC é que 32,69% das pessoas passaram a fazer parte da lista por causa de dívidas iguais ou inferiores a R$ 50.

Secretária Adriana de Assis conta suas expectativas sobre o novo cadastro

Estudantes lutam para conciliar trabalho e estudos

                                                             Rafaela Soares e Samantha Cardoso

“Trabalho não apenas para pagar minhas contas, mas pelo fato de poder fazer o que eu quero sem depender de alguém”. Isso é o que diz Cristiane Fernanda Resende, de 26 anos. Ela concilia trabalho e estudos há dez anos, desde quando cursava o ensino médio. Atualmente, faz Normal Superior em uma faculdade privada.  Segundo Cristiane, a maior dificuldade dessa rotina é o tempo, curto demais para tantas atividades. Ela trabalha desde os 17 anos, quando usava o dinheiro apenas para despesas pessoais. A partir dos 18, começou a ter despesas mais sérias como veículos, casa própria, faculdade particular e a manutenção da própria loja.
Daniela aproveita a viagem para colocar os estudos em dia
Daniela Melo tem 18 anos e mora em Lagoa Dourada, a 36 quilômetros de São João del-Rei, para onde viaja diariamente para assistir às aulas de um cursinho pré-vestibular. Ela sonha em ser psicóloga. Durante o dia, trabalha em uma loja de fotografias. Segundo a Daniela, trabalhar, estudar e viajar todos os dias não é uma tarefa fácil, mas é essencial, sobretudo para os adolescentes, já que assim podem adquirir responsabilidade e ter um futuro garantido.
De acordo com a educadora física, Mayra Marcenes Nogueira, um ritmo de vida acelerado pode trazer conseqüências como o stress físico e mental, devido à falta de tempo suficiente para dormir e descansar . Em uma rotina agitada e estressante, um bom condicionamento físico é fundamental. Os exercícios liberam hormônios que diminuem o cansaço e dão sensações de prazer, de bem estar e satisfação. “Isso já ajuda na nossa luta diária. Além de dar um preparo físico para agüentar um dia longo como o de quem estuda e trabalha, fortalece os músculos e prepara todo o organismo para os desgastes que temos com o passar das horas e dias”, explica.
Mayra acrescenta que exercícios simples podem resolver muitos problemas. “Exercícios matinais de alongamento, meditação, relaxamento, postura, feitos por alguns minutos já surtem grande efeito nas vidas agitadas e conturbadas de um estudante/trabalhador. Juntamente com uma alimentação balanceada e rica em alimentos essenciais, eles trazem melhor qualidade de vida e disposição ao indivíduo. É importante que a pessoa se alimente em horários regrados e faça os exercícios diariamente, assim o resultado vai ser muito mais rápido e eficaz”, complementa.
Segundo a psicóloga Kênia Isabel David, as dificuldades de alunos que trabalham devem-se ao fato de que a formação profissional ocorre à noite. Além dos compromissos do trabalho e dos estudos, alunos que moram em uma cidade e trabalham ou estudam em outra ainda precisam lidar com o deslocamento, que pode aumentar o cansaço do estudante. “O aluno inserido em tal rotina possui um desgaste físico e mental maior que seus colegas que se dedicam a atividades acadêmicas apenas e que residem na localidade em que estudam. Portanto, o dia-a-dia do estudante que trabalha deve conter elementos que funcionem como organizadores, motivadores, além de uma visão de futuro e de projeto de vida bem consolidado”, aconselha.
A psicóloga explica que essa organização deve levar em conta aspectos do trabalho, familiares, de lazer e de estudo. “É interessante lembrar que muitas pessoas fracassam em suas tentativas de organizar o tempo devido ao fato de colocarem metas que não são condizentes com a sua realidade e logo não conseguem alcançá-las tornando-se pessoas frustradas e desanimadas”, finaliza.




Marcha reivindica política de direitos humanos em São João del-Rei


Movimento contra homofobia reivindica promoção de políticas publicas de defesa dos direitos humanos em São João del-Rei

                                                                                                                                                                                                  Ana Gabriela Oliveira

A I Marcha Municipal contra a homofobia de São João del-Rei reivindicou nesta terça-feira, 17, a implantação de políticas de defesa dos direitos humanos na cidade. A passeata foi promovida pelo Movimento Gay da Região das Vertentes (MGRV).

A data comemora um ano da Lei Municipal N° 4.442/10, que institui o 17 de maio como o Dia Municipal Contra a Homofobia. 


terça-feira, 17 de maio de 2011

Acessibilidade para idosos é precária em São João

* Marcelo Alves e Vinicius Tobias

De acordo com o Censo/2010, São João del-Rei possui 976 pessoas com mais de 80 anos, a denominada 4ª idade. Esses cidadãos sofrem de doenças que dificultam a mobilidade e a autonomia. A cidade acessível, segundo definição do Estatuto do Idoso, é a que garante a toda sociedade a faculdade de ir, vir e estar nos locais públicos comunitários.
A pedagoga especialista em gerontologia, Maria José Cassiano de Oliveira, acredita que esse não é o caso de São João del-Rei. Para ela, o município não possui políticas de integração dos mais velhos. “A acessibilidade é um dos aspectos mais trágicos. Os idosos não têm como atravessar as ruas, pois os semáforos mudam muito rápido. Não há praças suficientes para convivência, as calçadas dificultam a caminhada e faltam banheiros públicos”, reclama a pedagoga.
A arquiteta e mestra em gerontologia, Adriana de Almeida Prado, aponta que as cidades precisam desenvolver políticas voltadas para “o acesso de todos a prédios e espaços públicos; cuidar para que não haja obstáculos de mobilidade, projetar edifícios multigeracionais e veículos que minimizem as dificuldades de pessoas com idade e deficiências”.

Dificuldades
São comuns a muitos cidadãos com mais de 80 anos os problemas com mobilidade e acesso a prédios públicos em São João. Nesse sentido, Maria Cristina Lima, de 80 anos, diz que enfrenta obstáculos diariamente. “Saio muito de casa, vou à missa todos os dias, pego ônibus. A pessoa mais idosa tem mais dificuldade, mas ainda conseguimos passear. Temos que ter muito cuidado, porque é muito perigoso, podemos cair e quebrar algum osso. Andar na rua é complicado, porque os carros não respeitam”, afirma Maria Lima.
Zeni Cordeiro, de 81 anos, comenta que ficou mais caseira com a idade. “Assisto à missa na televisão, não vou à igreja porque é muito longe da minha casa e não aguento andar muito. Ela também sente insegurança para atravessar as ruas e reclama da velocidade dos sinais. “Os carros não respeitam e eu desequilibro. Cismo que vou cair”, diz.
As cidades devem manter calçadas com piso estável, reto e com superfície antiderrapante, informa a arquiteta Adriana de Almeida. O que é um desafio para cidades históricas, com ruas estreitas e irregulares. A pedagoga Maria Cassiano conta que “as pessoas tropeçam muito nos paralelepípedos. As quedas para os idosos costumam a ser muito perigosas”

Transporte público
A circulação por transporte coletivo também não está totalmente adequada, afirma a gerontóloga. “Só quem dá conta das atividades diárias consegue pegar um ônibus. Mas com muita dificuldade ainda, as pessoas não têm consciência de que devem que ceder os lugares da frente. Os assentos reservados não bastam. Os motoristas não foram capacitados para receber as pessoas mais velhas e apenas alguns ônibus têm degraus rebaixados”, declara Maria Cassiano.
Marcia Leila de Castro Pellegrinelli, de 81 anos, aponta que o mais difícil para os idosos é a ausência de um transporte coletivo específico. “Deveria ter um transporte para os idosos em cada bairro. Os espetáculos religiosos, por exemplo, a gente perde porque são à noite. E acrescenta: “Acho muito importante que a comunidade desenvolva alternativas e a Prefeitura deveria tem uma van”. Jandira Pereira Lima, de 90 anos, conta que os filhos a proibiram de andar de ônibus por precaução. “Eu ando para lá e para cá de carro, só ando a pé perto de casa”.

Espaços públicos
Os poderes Executivo e Legislativo não dão o exemplo. O prédio da Prefeitura tem dois andares. Uma escada íngreme é a única ligação entre eles e não há projeto de adequação para idosos e deficientes físicos. O edifício da administração, que centraliza as Secretarias mais importantes, também não possui elevador. “Vocês nem imaginam as dificuldades para os idosos irem aos espaços de representação reivindicar seus direitos, como a Câmara de Vereadores e a Prefeitura. O acesso é bem complicado, com escadas muito inclinadas, que impossibilitam a subida do idoso”, declara Maria Cassiano.
A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que deve partir do Legislativo uma lei que obrigue os prédios municipais a terem opções de acessibilidade. O setor também se disponibilizou a fazer um levantamento dos prédios públicos que oferecem acessibilidade. Contudo, mais de uma semana após a requisição, não deu resposta. Apenas os prédios mais novos, como o Fórum, o Ministério Público e o Batalhão da Polícia Militar foram projetados de acordo com as necessidades dos idosos.


Concorrência pelo transporte público vai parar na Justiça

Ingrid Andrade e Natália Silva

Está na Justiça a licitação que define qual empresa vai ganhar a concessão do transporte público em São João Del Rei. Embora o processo tenha sido homologado pela prefeitura no final do mês passado, a Vale do Ouro Transporte Coletivo Ltda. recorreu da decisão que deu a vitória à Presidente, que já atua na cidade e ainda teria o serviço pelos 15 anos, renováveis por igual período.
           
Processo demorado
Nilo da Silva Lima presidente da Comissão de
 Licitação da Prefeitura
Segundo o presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura, Nilo da Silva Lima, foi aberto um edital de licitação, em novembro de 2010, que previa a escolha de uma empresa que cuidasse dos tramites legais para a realização do processo de licitação do transporte coletivo na cidade. “Por ser um processo muito complexo a prefeitura não dispunha de condições para realizá-lo”, afirma Nilo Lima. A empresa vencedora foi a Planum-Planejamento e Consultoria Urbana Ltda., de Belo Horizonte, que elaborou o edital para a concessão do serviço de transporte público coletivo, e o acompanhou até a homologação.
            O edital de concorrência foi consultado por 15 empresas, mas somente cinco participaram da seleção, sendo elas: Viação Presidente Ltda., Vale do Ouro Transporte Coletivo Ltda., Viação Sandra Ltda., Turin Transportes Ltda., Cidade das Rosas Transporte Coletivo Ltda. O processo foi realizado em três etapas: Parecer Técnico, Proposta de Comercial e Habilitação (documentação), cada etapa possuía uma pontuação diferente, que somadas, indicariam a empresa vencedora.
            A empresa vice-campeã,Vale do Ouro Transporte Coletivo Ltda., recorreu ao resultado final em 1ª instância, sem êxito, apelou ao Ministério Público e aguarda decisão judicial. De acordo com Nilo Lima, a empresa entrou com recurso junto à prefeitura em todas as fases “todos os pedidos foram avaliados pela parte técnica da Planum e pela comissão de licitação, mas, foram negados. Não há motivos para a empresa Vale do Ouro pedir recurso, pois todas as etapas foram realizadas corretamente, e todos as solicitações anteriores foram negadas”, observa.
            Em uma das vezes que a empresa de transporte coletivo Vale do Ouro recorreu, ela alegou o fato de Mauro Duarte, presidente da Câmara Municipal da cidade e gerente da Viação Presidente, poder influenciar na decisão da concorrência em favor da empresa em que trabalha. “Não teria como o Mauro influenciar na decisão, pois ele representava apenas um voto na Câmara, na época a presidente da Câmara Municipal ainda era Jânia Costa (PTB)”, observa Nilo Lima.
            Até o fechamento da matéria a empresa Vale do Ouro Ltda. não quis se manifestar sobre o assunto. A Viação Presidente Ltda., quando procurada, afirmou não conseguir entrar em contato com os funcionários responsáveis pelo processo de licitação. Ao ser solicitado o contato, a secretária da empresa afirmou não ter conhecimento dos mesmos.

Lei questionada
            A Lei Municipal de n° 4.488, aprovada em 22 de setembro de 2010, concede à empresa que ganhar a concessão do transporte público coletivo em São João del-Rei, a exploração por 15 anos, sujeitos à renovação por igual período. O projeto de lei foi aprovado quando a concessão do transporte público estava por terminar e a empresa que iria desenvolver os editais para o processo de licitação já estava sendo contratada.
            De acordo com o presidente da Comissão de Licitação, Nilo Lima, houve muitas indagações quanto à vigência da lei n° 4488. O funcionário informa, inclusive, que o Ministério Público já se mostrou contrário à proposta e deverá questioná-la. “A promotora de Justiça de São João Del Rei, Adriana Vital Valle, irá apresentar um processo contra a lei. Ela não concorda com a norma que torna possível o contrato de uma empresa de transporte por 15 anos renováveis por mais 15”, afirma. A promotora não foi encontrada para falar a respeito.
            Outras organizações de São João del-Rei fizeram requerimento junto ao Ministério Público contra a lei n° 4488. A Assembléia Popular das Vertentes fez um manifesto, em abril, onde alegava que a lei teria sido aprovada de forma ilegal, sem passar por audiência pública, sem ouvir o Conselho da Cidade, ela exigia uma investigação quanto à tramitação.

Deveres da Viação Presidente
Ponto de ônibus da Estação Ferroviária
            O contrato a ser assinado pela empresa, nos próximos 30 dias, prevê melhorias no transporte público. A vencedora terá prazo de de 15 anos para concretizar as mudanças. O acordo prevê a prestação de serviços adequados de acordo com o edital, prestação de contas ao poder concedente e aos usuários, concessão de informações que lhes forem solicitadas, modernidade das técnicas de equipamentos e instalações, bem como melhoria e expansão dos serviços na medida da necessidade dos usuários, serviços iguais para todos, sem discriminação, entre outras.
            De acordo com o contrato, se a empresa descumprir alguma cláusula, a mesma será julgada pela Secretaria de Obras e Serviços Urbanos, responsável por acompanhar o cumprimento do contrato. Segundo a Ouvidoria Municipal não há reclamações sobre os serviços prestados pela Viação Presidente.


Veja o vídeo com a opinião da população:

A importância dos cuidados com a alimentação para a prevenção da obesidade

Ana Pessoa Santos e Renato Brunelli

Atividade na escola Caminho do Sol com a laranja
Foto: Ana Pessoa
O número de brasileiros obesos tem aumentado a cada ano, segundo o Ministério da Saúde. Atualmente, 15% da população sofrem deste mal. Além disso, as estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 70% das crianças de hoje estarão acima do peso quando adultos, caso não mudem seus hábitos de alimentação. “A obesidade é uma doença crônica definida pelo aumento excessivo de gordura corporal de origem multifatorial”, diz o mestre em saúde da criança e adolescente pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor Benedito de Oliveira Veiga, da Faculdade de Medicina de Barbacena.

Os hábitos das crianças é lembrado pela nutricionista Silvia Aline Furtado como um fator que influencia no aumento de peso.  “O aumento da obesidade infantil acompanha uma tendência mundial de aumento na incidência de sobrepeso e obesidade. Esse fato acontece devido a mudanças no estilo de vida da população, como o maior consumo de alimentos de alta densidade calórica e redução da prática de atividades físicas”, explica.

O pediatra Yuri Caldas acrescenta que “a alimentação tem dois papeis fundamentais durante a infância: proporcionar os nutrientes necessários para o crescimento somático adequado, permitindo que atinjam o seu potencial genético de estatura e peso; e prevenir doenças que podem se manifestar ainda na infância, além de outras que podem ter inicio na infância e se manifestar mais tarde, já na fase adulta”.

A nutricionista ressalta que a adoção de bons hábitos alimentares envolve toda família. “Dessa forma a criança adotará uma rotina alimentar saudável de maneira natural. Uma vida ativa que inclua a prática de esportes e brincadeiras também tem grande importância, já que a maioria das crianças que se apresentam obesas tem relatos de uma vida sedentária”, diz.

Veiga lembra que “pessoas obesas são vítimas em potencial de doenças”. Segundo o médico, “o excesso de peso causa 40% de doenças coronarianas, além dos riscos de hipertensão, dislipidemias, varizes, hérnias com repercussões psicológicas, morte prematura por diabetes, entre outros, diz”.

A dona de casa Janaina Carla Flores Belo Souza tem uma filha de 12 anos que está acima do peso ideal e conta como é difícil fazê-la comer melhor. “Eu tento estimular minha filha a sempre comer frutas e verduras, mas ela sempre come besteira na rua e na escola”. Para ela, “é fundamental toda escola, não só as particulares, terem um nutricionista fazendo o cardápio da merenda”.

A diretora da escola infantil Caminho do Sol, Liliane Aparecida dos Santos Dutra conta que sempre trabalhou a questão da alimentação na escola e tenta estimular o lanche saudável. “Nós estabelecemos junto com as famílias que, toda quinta-feira, as crianças trarão frutas e vamos tentar encontrar uma forma lúdica do consumo da mesma. Além disso, começamos a trabalhar com as crianças maiores, do quarto e quinto ano, o consumo antes das atividades físicas”, diz. Ela ainda ressalta que “é preciso uma campanha muito grande, porque não existe mesmo esse cuidado com a alimentação”, explica.

Ivan Augusto Assunção, diretor administrativo do Centro Educacional Frei Seráfico, que possui turmas do primeiro ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio, diz que “chegamos à conclusão que o que a gente mais precisa fazer é mudar hábitos alimentares”. Para ele, “o caminho mais viável é fazer um trabalho de orientação e educação das crianças e principalmente dos pais, com a ajuda dos professores”, comenta.

Leis regulamentam o cardápio das cantinas

A lei federal n°11.947, de 16 de junho de 2009, e a estadual n° 18.372, de 4 de setembro de 2009, normatizam a alimentação escolar. Segundo a lei estadual, “os lanches e as bebidas fornecidos e comercializados nas escolas das redes pública e privada do Estado serão preparados conforme padrões de qualidade nutricional compatíveis com a promoção da saúde dos alunos e a prevenção da obesidade infantil”.

Dez passos para uma alimentação saudável

Segundo Furtado, “a alimentação adequada para as crianças é aquela que atende às suas necessidades de energia, proteínas, vitaminas e sais minerais”. Ela ressalta que para isso é necessário “o uso diário de alimentos como leite e seus derivados, carnes magras, ovos, cereais, leguminosas, verduras, legumes, frutas e, em menores quantidades, gorduras e açúcares”, e ressalta que “os pais devem ainda controlar o uso de guloseimas como balas e refrigerantes, para que seu consumo não se torne habitual”.
Com o objetivo de ajudar as pessoas a escolherem alimentos saudáveis na hora de se alimentar, o Ministério da Saúde lançou os “Dez passos para uma alimentação saudável”. Confira abaixo;
1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições.
2. Inclua diariamente seis porções do grupo dos cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos, como as batatas, e raízes, como a mandioca, nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural.
3. Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches.
4. Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde.
5. Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis!
6. Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina.
7. Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas e outras guloseimas como regra da alimentação.
8. Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa.
9. Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições.
10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo.

Fonte: Ministério da Saúde


Veja Liliane Aparecida dos Santos Dutra falando sobre a alimentação e a educação finançeira em sua escola.


Altos preços marcam o setor imobiliário de São João del-Rei

Carol Argamim Gouvêa e Íris Marinelli

Não existem muitas diferenças entre alugar um imóvel no centro de São João del-Rei ou em Ipanema, bairro nobre do Rio de Janeiro. Não quando o assunto é o preço. Um apartamento de três quartos no famoso bairro carioca pode ser alugado por menos de R$2300, enquanto que, no centro de São João del-Rei, o valor pode ser maior até para um imóvel com menos cômodos, chegando a R$ 2.500. O alto preço das moradias na cidade pode ser verificado em várias áreas, principalmente no centro e nos bairros próximos aos campi da UFSJ.
Segundo Arlene Fróes, proprietária da Imobiliária JFróes, a procura é maior que os imóveis disponíveis. “A oferta está insuficiente e a procura é muita, e continua aumentando”. Outro problema, segundo ela, é a limitação para quem quer construir, porque a “cidade é histórica e isso acaba prendendo as pessoas.” Os prédios, por exemplo, não podem ter mais de cinco andares e existem inúmeras exigências arquitetônicas para a construção ou reforma em áreas tombadas pelo patrimônio.
Vista parcial de SJDR. Foto: Marcelo Alves

A expansão da Universidade Federal de São João del-Rei multiplicou o número de estudantes na cidade, o que aumentou a procura por aluguel de casas e apartamentos. Além disso, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São João del-Rei, Valdeci da Silva, explica que o programa da Caixa Econômica Federal, Minha Casa Minha Vida, facilitou a compra de moradias: “Com o programa da Caixa é muito mais barato comprar do que alugar uma casa e as pessoas de São João estão comprando mais”.
Outro motivo para o alto preço no setor imobiliário é que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), que regula os aluguéis, teve um salto em 2010 e só começou a baixar novamente no começo desse ano, como explicou Arlene Froés. Entretanto, segundo o proprietário da Del-Rei Imobiliária, Francisco Marcos Mendonça, o aluguel na cidade não está tão caro, já que o percentual varia de 0,5 a 0,6% sobre o valor total do imóvel. “Os imóveis da cidade são bem valorizados e o que cobramos ainda não atingiu um preço muito alto”, explica Mendonça.
A esteticista e moradora da cidade há vinte anos, Maria Auxiliadora Neves, discorda de Mendonça: “Não se encontra um bom apartamento por menos de R$1200. Esse valor é absurdo, considerando as condições dos imóveis”. Maria Auxiliadora afirma que procura há anos um apartamento melhor e não consegue encontrar devido à concorrência com os estudantes. “São João del-Rei é uma cidade pequena, não tem infra-estrutura para receber o número de estudantes que vem recebendo. Agora que estão começando a construir mais apartamentos com mais espaço, melhorar as ofertas”, explica.
O auxiliar de escritório da Imobiliária Líder, Anderson Luiz, afirma que muitas vezes os proprietários preferem alugar para estudantes, pois “podem colocar um preço maior pelo fato de que os estudantes dividem o aluguel e não se importam em pagar um pouco mais”.

A construção civil em SJDR

Não existem dados concretos do número de obras em andamento na cidade. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São João del-Rei, Valdeci da Silva, muitas obras particulares não contam com o auxílio de construtoras e não possuem registro, o que dificulta a quantificação do número de construções. Entretanto, o presidente afirma que foi verificado um aumento considerável no setor, devido principalmente às construções de prédios da UFSJ, do novo fórum e de casas populares em alguns bairros da cidade.
Existem aproximadamente 20 construtoras na cidade. Porém, boa parte das obras do governo, que são a maioria, é feita por construtoras de outras cidades, que vencem licitações com maior facilidade que as locais. Isso faz com que o setor não gere tantos empregos em São João del-Rei, já que os trabalhadores vem dos municípios de origem da construtora.
Segundo o proprietário da são-joanense EA Construtora, Paulo César Ramos, a construção civil vive uma boa fase. “Os programas da Caixa abriram muitas facilidades. No momento temos três casas e três prédios em construção”, conta.

Moradora da cidade conta das dificuldades de ser vizinha de república:


Moradores da cidade contam suas dificuldades de alugar um imóvel:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Frio X Exercícios

Por Karen Abreu e Natasha Terra

Para você, inverno é época de ficar em casa, embaixo do cobertor, na frente da TV, saboreando deliciosas comidas quentes e... exercício físico, nem pensar? É praticamente uma afronta sair de casa, enfrentar ventania para... malhar?! Infelizmente, este é um mal necessário. Afinal, a atenção com a saúde deve durar o ano todo.
O professor de educação física, Raphael Gonzaga, chama atenção para o fato de que mais difícil do que enfrentar os dias frios,é retomar a rotina de exercícios depois de um tempo parado.
A frequentadora de academia, Carolina Gusmão, concorda com o instrutor e explica que pra deixar a preguiça de lado, pensa em todas as calorias que vai acumular se não sair de casa e malhar os músculos. Também diz que o início dos exercícios é mais complicado, entretanto, depois de pegar o ritmo, o frio é deixado de lado. E a academia vazia no inverno acaba sendo uma grande vantagem da estação.
A bióloga Cássia Luana de Faria Castro também é adepta da malhação mesmo no inverno. Diz que também pensa no ganho de peso causado pela falta dos exercícios e da perda do ritmo que ocorrerá caso ela pare de malhar, o que dificultaria a volta para os aparelhos.
Para deixar a preguiça de lado, Raphael aconselha a pensar em todo o esforço feito nos dias quentes e explica que o alongamento antes dos exercícios, no frio, são cruciais.
A nutricionista Adriana Ribeiro Abreu explica que, no inverno, o nosso organismo acelera mais o metabolismo e com isso há um aumento da necessidade calórica para manter a temperatura do corpo, por isso as pessoas têm mais vontade de comer alimentos quentes.
Mas Adriana adverte que não se deve abusar destes alimentos para evitar um aumento de peso. E alimentos como caldos e sopas de legumes, chás, legumes cozidos podem ser consumidos com moderação, pois aliviam a fome e aquecem o corpo. Além disso, é fundamental conciliar uma dieta equilibrada com a prática de exercícios físicos.




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