quarta-feira, 4 de maio de 2011

O aumento da violência doméstica em São João del-Rei

Suellen Passarelli e Talita Andrade

Segundo dados da delegacia de São João Del rei, no ano de 2005, foram registrados 417 casos enquanto em 2010 houve a ocorrência de 710 casos. Porém, a delegada de Crimes contra a mulher de São João Del-rei Marilda Solange Vieira de Lima afirma que, “na verdade, a violência doméstica não aumentou, as mulheres que começaram a se sentir mais protegidas e passaram a denunciar mais”.
A Lei 11.340/2006 do Código Penal, a Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. As vítimas passaram a ter uma maior assistência e prevenção em situações de risco. De acordo com Pesquisa Instituto Avon/ Ibope sobre a violência domestica contra a mulher no Brasil em 2009, 80% das mulheres entrevistadas tinham algum conhecimento sobre a lei e 55% conhecem pelo menos um caso de violência contra a mulher.
Com a instauração da Lei Maria da Penha, depois que a violência é denunciada, é realizado um auto de prisão em flagrante onde o autor é encaminhado para a delegacia, podendo responder ao processo em liberdade mediante pagamento de fiança. As penas variam de três meses a oito anos, dependendo do crime cometido.
Ainda de acordo com a pesquisa do Instituto Avon/ Ibope, o alcoolismo é a principal causa das agressões, seguida do sentimento de dominação masculina, valor imposto pela sociedade. A dona de casa conta que seu companheiro tem um comportamento tranqüilo, e que não se altera facilmente, mas basta um copo de bebida para que ele se torne outra pessoa e comece as agressões.
A violência pela qual é exposta ocorre das formas mais variadas, desde humilhações verbais até tentativas de homicídio. “Na maioria das vezes são chutes, socos. E houve uma vez em que meu companheiro me agrediu com uma barra de ferro da piscina. Ele me agride em lugares onde as marcas não aparecem.”
Além das humilhações sofridas com as agressões, a mulher passa por momentos constrangedores ao fazer a denúncia, é o que afirma a dona de casa C. N., que ao denunciar o seu agressor não teve a atenção necessária, já que foi tratada de forma indiferente pelas autoridades: “Me trataram como se eu quisesse apanhar, dando razão ao meu companheiro.”
Segundo a delegada, os crimes de violência doméstica mais comuns são as ameaças, com pressões psicológicas e os de lesão corporal, todos cometidos em sua maioria por maridos, ex-maridos, companheiros, ex-companheiros, namorados e ex-namorados das vítimas.

Divino Sabor da Tradição Mineira

A planta é repleta de espinhos
 Adriano Moura, Ana Gabriela e Wanderson Nascimento
Ele é um alimento de alto valor nutricional, produz ornamento exuberante e cerca viva intransponível. Tem baixo custo e é de fácil acesso e cultivo: o ora-pro-nobis, ou Pereskia aculiata, é uma trepadeira que faz parte da tradição mineira. A planta pertence à família dos cactos, nativa da região que vem desde a Flórida até o Brasil e, como dizem os mineiros, ‘ é como mato, dá em qualquer lugar’.
O chef de cozinha João Lombardi explica que a hortaliça está presente na culinária mineira tanto em pratos simples quanto em sofisticados. Ele conta que, de acordo com a tradição local, “a planta existia em abundância cercando a igreja Matriz Santo Antônio de Tiradentes, mas o padre não permitia que ninguém a colhesse. Na hora da missa, as pessoas aproveitavam para colher a folhinha enquanto o padre rezava a ladainha do ora-pro-nobis, orai por nós em latim”.
O garçom Ailton colhe a planta no próprio restaurante
No restaurante de Lombardi, de mesmo nome da planta, o ora-pro-nobis acompanha receitas de frango, o mais tradicional e mais pedido, costelinha, risoto, caldo de milho verde, batizado de milhonóbis, entre outros. Segundo ele, a procura pelos pratos é grande e a maioria dos clientes é de fora

Assista ao vídeo em que o chefe prepara o tradicional frango com ora-pro-nobis.

A dona de casa Maria de Lourdes Giarola tem uma muda do vegetal na horta e diz consumir com moderação no dia-a-dia. “Nós não comemos muito, porque dizem que faz mal para os rins e porque é muito quente. Eu costumo fazer para as visitas e geralmente preparo refogado com frango ou com carne moída, pimentão e tomate”, afirma.
O frango com ora-pro-nobis depois de servido
A nutricionista do Posto Central de Saúde de Santa Cruz de Minas, Thaís Cristiane Fuzatto, explica que a planta não faz mal à saúde. “É como se estivesse comendo alface todo dia”, afirma. Entretanto, ela ressalta que o excesso da hortaliça não é recomendado àqueles que tenham pré-disposição a problemas renais. “O excesso de proteína, cálcio e fósforo vão acentuar o funcionamento dos rins e dificultar a filtração glomerular [filtração dos rins], com aumento das escórias nitrogenadas, como uréia e creatinina, e outros compostos nitrogenados.” A dificuldade em filtrar o sangue gera o problema renal.
A dona-de-casa Maria de Lourdes e sua muda de ora-pro-nobis
De acordo com Fuzzato, o ora-pro-nobis tem 25% de proteína de alto valor biológico, o que significa que uma alta porcentagem, 85%, dessa proteína é digerida pelo corpo humano. Além disso, é rico em vitaminas A, B e C e minerais, como cálcio, fósforo e ferro.
Ela concorda com aqueles que defendem o uso da planta como complemento alimentar na dieta do brasileiro, mas ressalta que “só o ora-pro-nobis não vai curar a fome de ninguém.” Thaís lembra que, por ele ser rico em proteína e ferro, é um bom auxiliar na luta contra a anemia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Arte, sustentabilidade, criatividade e iniciativa

Luis Gustavo Santos e Violeta Cunha

   Foto: Luis Gustavo
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Parte do cenário da peça Retratos Insustentáveis
Vários guarda-chuvas de cabeça para baixo. Roupas penduradas no teto. Uma porta solta no meio do salão. Um manequim nu ao piano. Malas de viagem. O cenário, à primeira vista caótico, foi apenas parte da Mostra Movére Apresenta, que usou a arte para discutir a questão da sustentabilidade. O grupo, que existe há dois anos, trouxe à cena, ainda, cinema, música, performances, artes plásticas, teatro e palestras.

Montada no Solar da Baronesa, a mostra foi um trabalho inédito e nada convencional. O que a princípio parecia uma confusão, vai ganhando sentido conforme os atores vão interagindo com o público. Para o diretor do grupo, professor Adilson Siqueira, “a proposta é inspirada em uma ação eco poética que visa promover uma mudança cultural e social gerada a partir da emoção”.
Por acreditar que as artes - em especial as cênicas - podem contribuir para o desenvolvimento de uma economia sustentável, o grupo resolveu investir nessa parceria entre o teatro e a conservação do meio ambiente. “O Movére está se constituindo numa plataforma inovadora para o desenvolvimento de uma arte cênica que promova a mudança cultural em direção à sustentabilidade, visando à evolução de nossas sociedades e estilo de vida”, afirma o professor do Teatro.

As instalações no Centro Cultural da UFSJ compõem o cenário da peça Retratos Insustentáveis, adaptação do texto “A partida”, de Daniela Kisrt, com relatos colhidos pelo NINJA - Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental da UFSJ. Segundo a estudante de teatro Taíssa Gomöry, que é membro do Movére e atua na peça, os relatos são reais e narram os conflitos enfrentados por pessoas da região que tiveram problemas com o uso irresponsável dos recursos ambientais por empresas, governo e civis. “Alguns perderam casa e família”, explica.

   Foto: Luis Gustavo
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O público se mistura aos atores e cenário
A peça surpreende por sua estrutura incomum, em que o público não fica sentado assistindo e interage diretamente com o cenário e com os atores, além de um texto tocante. Maria Teresa Cardoso, estudante do curso de geografia, que assistiu ao espetáculo diz ser “a primeira vez que assisto a uma apresentação onde estivesse tão perto dos atores, e essa aproximação deu outro ar à peça. No começo tive um estranhamento e não sabia onde ficar, mas depois percebi que fui me misturando ao lugar e aí entendi a proposta”.

A mostra teve ainda filmes, animações e curtas metragens com temática ambiental, como Cartas da Terra, A História das Coisas, Ilha das Flores e Estamira. Além disso, contou com apresentações de artistas locais como o Grupo Xamã, com a performance Number 9, Ogã Elerson do Carmo Soares e Grupo Raízes da Terra, com dança e percurssão. Segundo o Ciro Augusto Canton, professor de história, “São João precisa de outras iniciativas como essa. Sustentabilidade é assunto sério e precisa ser mais discutido. Utilizar a arte para esse debate é maravilhoso!”.
Foto: Luis Gustavo                
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A palestrante Profª. Filomena Bomfim
O artista Bruno Padilha apresentou a performance “Asfixia” em que trata da questão lixo e meio ambiente e emocionou o público. As atividades foram encerradas com palestra da professora Filomena Bomfim, do curso de Comunicação Social – Jornalismo sobre “Mashal MacLuhan e a Sustentabilidade: uma abordagem transdisciplinar”. Segundo Filomena, o teórico canadense teve uma formação transdisciplinar que o encaminhou à postura comprometida com a sustentabilidade.
A direção geral do Projeto é do professor Adilson Siqueira, com curadoria do aluno de Arquitetura Bernardo Neves de Paula, auxiliado pelo aluno do mesmo curso, César Peretti. O cenário e as instalações são da artista Débora Castro.

Movére: Artes Cênicas, Performance e Sustentabilidade

O Movére iniciou seus trabalhos em outubro de 2009, através da iniciativa do professor Adilson Siqueira, atual coordenador da equipe. O Movére, um dos subgrupos do Grupo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes, Culturas e Sustentabilidade, ligado ao Departamento de Letras, Artes e Cultura da UFSJ, realiza estudos e pesquisas envolvendo técnicas, dramaturgias corporais e dança-teatro baseadas na sustentabilidade, pretende criar uma nova “eco poética” para o trabalho dos atores.

Adilson explica que “o termo ‘sustentabilidade’ expressa a conexão intrínseca entre justiça social, paz, democracia, autodeterminação e qualidade de vida e, para poder atingir estes objetivos, é necessário uma estratégia cultural baseada no pressuposto de que media, artes, educação, comunicação, organização e também as emoções desempenham papel decisivo nesse processo de mudança”.

Tais temas têm sido abordados pelo grupo desde a perspectiva dos conflitos éticos, emocionais, profissionais, psicológicos e legais que envolvem os humanos em suas relações com a presente cultura de insustentabilidade.

Semana Santa reúne grande número de fiéis e turistas em São João del-Rei

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, número de turistas superou
o dos últimos anos em razão do feriado de 21 de abril. Foto do Largo das Mercês no
Sermão do Descendimento, na Sexta-feira Santa.
Trânsito em Tiradentes (acima) e São João del-Rei (abaixo)
exigiu paciência dos motoristas, principalmente nas vias do centro histórico.
  
Com o tema "São João del-Rei: cidade da música", o Projeto Atitude Cultural conservou a tradição
dos tapetes de rua  nas principais procissões da Semana Santa.
"Tem que se deixar envolver"
Em sua primeira Semana Santa como bispo diocesano de São João del-Rei , Dom Célio de Oliveira Goulart (foto)  destacou-se nas celebrações litúrgicas tradicionais. "Tive muita paciência para acompanhar e poder viver e sentir, porque se isso diz muito para o povo, para nós [bispos e padres] tem que ser ainda mais forte".

Pousadas têm lotação de 100%.
Em vídeo, o gerente da pousada Beco do Bispo, Marcos Teixeira, propõe pequenas ações para agradar ao público visitante a fim de suprir a carência de investimentos no setor de pousadas e hotéis em São João del-Rei. 


Fotos: Eduardo Maia e Carol Slaibi

Sites de compras coletivas regionais fazem sucesso em São João del-Rei


Ana Pessoa Santos e Renato Brunelli

Paulo Henrique Fazzion, proprietário do Minas Desconto.
Foto: Ana Pessoa Santos
Os sites de compras coletivas já existem há algum tempo, mas recentemente, empreendedores de São João del-Rei e região começaram a investir neste ramo, enfocando principalmente o mercado local. Atualmente, a cidade possui cinco sites, que oferecem descontos que variam entre 40 e 75% em diversos produtos e serviços. Para a mestranda em Letras,  Hellem Cristina de Oliveira Guimarães, “o grande atrativo das compras coletivas é o excelente desconto oferecido, no entanto, não se pode descartar que a possibilidade de conhecer lugares novos também é bastante interessante”.
“As compras coletivas possibilitam que mais pessoas frequentem estes estabelecimentos e assim acabam divulgando seus negócios”, diz a economista Daniela Almeida Raposo Torres. Paulo Braga, proprietário da academia Performace, comenta que “o fato dos sites estimularem o comércio e a inclusão de pessoas que estão fora do mercado, chamou muito a atenção”. Ele conta ainda que “repetimos a promoção porque tivemos um retorno muito grande”.
Paulo Henrique Fazzion, proprietário do um dos sites que atuam em São João del-Rei, o Minas Descontos, conta que a adesão foi melhor do que o esperado, mas que ainda existe o medo da compra pela internet “tivemos algumas vendas que as pessoas não chegaram a finalizar, pois não efetuaram o pagamento”, diz. Já Isabel Braga, relações públicas do Clube Real, conta que a equipe encontrou resistência por parte dos fornecedores, mas que aos poucos estão conseguindo mudar esta visão. “Muitos enxergavam a possibilidade de parceria como prejuízo e não como oportunidade e investimento em marketing”, diz.
Guimarães, que comprou uma pizza e um crepe em uma oferta no Alkateia, acredita que “as pessoas que oferecem esses serviços preocupam-se em tratar muito bem seus clientes para torná-los assíduos”. Sobre o atendimento, Torres ressalta que “os estabelecimentos devem ficar atentos a atender bem este público, pois a propaganda boca a boca vale muito mais do que qualquer outra”.
Apesar das vantagens oferecidas pelas compras na internet, “o consumidor deve sempre atentar para a loja que coloca o produto/serviço à venda; procurar saber se o site é confiável, se há endereço (físico) da empresa, telefone, CNPJ; a forma de pagamento, evitando fornecer dados do cartão de crédito, senhas bancárias”, diz a defensora pública Luciana Mourão Rezende. Ela ainda adverte que os estabelecimentos “devem analisar se o site de compra coletiva é confiável e se existem outras empresas participantes conhecidas”.
 “Caso o consumidor adquira um produto ou contrate um serviço e não o receba, deve, em primeiro lugar, entrar em contato com a empresa, preferencialmente pela via escrita (e-mail, carta) para reclamar diretamente e caso não obtenha resposta, deve procurar os Juizados Especiais para exigir o produto/serviço ou o dinheiro de volta, cumulado com indenização” diz Rezende. Ela ainda ressalta que “para valores de até 20 salários mínimos, o próprio consumidor poderá efetuar a reclamação, independentemente de Defensor Público ou advogado, nos termos da lei 9.099/95”.

Compras Coletivas
Os sites de compras coletivas surgiram em 2008 nos Estados Unidos, mas só chegaram ao Brasil em 2010, através das ações da empresa americana Groupon, que começou atuando em São Paulo. Oprimeiro site totalmente brasileiro foi o Peixe Urbano que já exerce suas atividades em mais de 80 cidades. Hoje, existem também os sites agregadores, que reúnem as informações das ofertas dos principais sites de compras coletivas, facilitando a visualização pelos clientes.
Logo após a negociação com os parceiros, a oferta é disponibilizada no site por tempo determinado. É informado ao consumidor o produto ou serviço oferecido, o preço, o desconto e o tempo de validade do cupom, além de outras informações importantes. Depois que a pessoa efetua o pagamento, ela recebe um cupom ou um código, que deve ser levado ao estabelecimento, quando for utilizar o serviço ou retirar o produto adquirido.
A divulgação das ofertas geralmente é feita através de redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut, além do envio de newsletter para o e-mail das pessoas cadastradas. Isabel Braga conta que “buscamos, a cada dia, fortalecer os meios de divulgação existentes e agregar novos meios, para, a cada dia, alcançar mais usuários e parceiros”.
Os produtos variam, assim como os descontos. São oferecidos tratamento dentário, porções em bares e restaurantes, diárias em hotéis e pousadas, lavagem de carro, curso de inglês e serviços em salões de beleza, entre outros.
A estudante de Geografia da Universidade Federal de São João del-Rei Raquel Ramos fala da sua experiência em um site de compras coletivas:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Parque Francisco de Assis, novo canil de Lavras

Por Karen Abreu e Natasha Terra

Quatrocentos cachorros distribuídos em 15 baias, uma maternidade e três galpões. Essa é a realidade do novo canil municipal de Lavras. A obra, que começou em janeiro desse ano e não tem data para terminar, está sendo feita no antigo matadouro da cidade. O trabalho, realizado por voluntários, ainda precisa da ajuda da população.
A presidente do Parque Francisco de Assis, novo nome do canil, Agulúcia Martins Amarante, esclarece que o antigo espaço, que funcionava num sítio alugado, não estava mais suportando o grande número de animais. Chegou a receber 500 cães onde cabiam 150. Além disso, o dono do lugar pediu de volta a propriedade fazendo com que os voluntários fossem em busca de um novo espaço .
O novo terreno, doado pela prefeitura, está passando por uma obra de adaptação. Lenilce Rezende Gomide, coordenadora de construção e recursos, explica que a obra será feita a longo prazo, em várias etapas. Haverá uma casa de cura contendo ambulatório, salas para pequenas cirurgias, vacinação, banho e tosa. Além disso, a farmácia provisória será melhorada.
Embora a maior parte do trabalho, tanto na construção quanto no cuidado dos animais, seja realizada por voluntários, o canil tem três funcionários remunerados. Segundo Gomide, a despesa mensal do Parque varia entre R$ 30 mil e R$ 40 mil reais. Desse total, a prefeitura repassa R$ 10 mil, utilizados para a compra da ração.
De acordo com a presidente, os cães chegam até o Parque com a ajuda da vigilância sanitária, cuja preferência é por animais em estado de saúde precária. As voluntárias enfatizam que não aceitam doações domésticas, uma vez que, o abrigo já atingiu sua capacidade máxima.
Em relação às adoções, Amarante e Gomide explicam que qualquer indivíduo pode adotar um cão desde que tenha condições adequadas para receber o animal em casa. Para isto, é feita uma entrevista, além da assinatura de um termo de guarda pelos aprovados.

Agulúcia Amarante fala da importância do canil para Lavras

Informação e preparo diminuem o estresse do vestibular


Carol Argamim Gouvêa e Íris Marinelli

Fernanda Silva Oliveira já deixou de dormir e comer direito por causa de uma nota ruim no colégio. Estudante do 3º ano de uma escola particular em São João del-Rei, ela sofre com a pressão causada pelo vestibular para medicina que irá prestar no final do ano. Já Letícia Giarola, que irá tentar arquitetura, deixa de sair aos finais de semana para adiantar os estudos e se priva também da internet. Assim como elas, milhões de jovens têm seu equilíbrio abalado diante da perspectiva de enfrentar uma prova que poderá decidir o seu futuro.
Alunos assistem aula no cursinho Frei-Seráfico
O último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), aplicado em 2010, contou com aproximadamente 3,3 milhões de estudantes inscritos. Como essa prova é aplicada em todo o país e a nota é utilizada no processo seletivo de inúmeras instituições de ensino superior, pode-se ter uma ideia de quantas pessoas se dedicam à tentativa de ingressar em uma universidade. Só no Vestibular de Inverno da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que acontece no próximo mês, estão inscritos quase 9 mil candidatos para 707 vagas.
“Diante da concorrência do vestibular, os estudantes tendem a desenvolver uma insegurança e temor, além de ficarem com a auto-estima baixa”, afirma a psicóloga, mestre em orientação profissional, Ivanize dos Santos Lima. “O aluno vivencia uma angústia, uma ansiedade muito grande”, conta.
Para a psicóloga, a falta de informação e preparo dos vestibulandos também geram ansiedade. O anseio de passar na prova, aliado ao sentimento de não estar capacitado para isso, acaba causando o estresse pré-vestibular. “As escolas devem oferecer um espaço para os alunos refletirem sobre suas decisões profissionais”, afirma Ivanize. “Além disso, devem trabalhar mais para informar os alunos. A falta de informação é um dos maiores problemas”, completa.

O papel da família e da escola
Não são apenas a concorrência e a falta de informação os responsáveis por criar tensão sobre os vestibulandos. A expectativa da família ou a falta de apoio, assim como a forma de abordagem das escolas, são fatores que contribuem para aumentar o estresse dos alunos. “Tudo depende do ambiente escolar e familiar, das expectativas”, afirma a psicóloga.
Segundo ela, o apoio familiar é fundamental para o bom desempenho dos estudantes. Ela afirma que famílias de alunos de colégios particulares tendem a criar muitas expectativas, pois estão fazendo um investimento, e geralmente cobram por resultados positivos. Entretanto, a estudante Petra Bastoni conta que a pressão vem dela mesma. “Ninguém merece ficar fazendo cursinho. Minha família só me apóia, não faz pressão”, diz.
Por outro lado, “alunos de escolas públicas sofrem algumas vezes com a indiferença da família. Acontece de a família querer que o aluno gere renda financeira imediatamente e a faculdade lhes parece algo a longo prazo”, explica Ivanize. Isso faz com que a família dê pouca importância à busca pelo diploma universitário e cobre mais dos filhos um emprego imediato, deixando-os sem apoio e incentivo, o que pode criar tanto estresse quanto desinteresse pelo vestibular.
As escolas também são responsáveis pelo comportamento do aluno diante do vestibular. Os colégios particulares dão muito preparo e informação aos alunos, entretanto, costumam pressioná-los para bom desempenho no exame. Ivanize explica que “isso acontece porque a escola quer se projetar como uma escola que aprova. O critério atual para se dizer se uma escola é boa se baseia no número de alunos aprovados no vestibular”. Ivanize acredita que na rede pública o processo seja diferente, pois não importa o número de aprovados e os alunos acabam ficando desinformados. As duas questões podem gerar estresse, segundo a psicóloga.

A questão da escolha
Um dos maiores desafios para os vestibulandos é a escolha do curso. A falta de informação, a pouca idade desconhecimento das próprias preferências e necessidades faz com que o jovem se veja muitas vezes perdido em relação a que curso escolher, o que pode levá-lo a decisões erradas. É o caso de Diego Ávila, que irá prestar novamente o vestibular após passar por dois cursos na universidade e desistir: “Primeiro fiz Educação Física por pressão do meu pai. Depois entrei para Engenharia, mas só estava tirando notas ruins e resolvi trancar. Agora vou tentar Economia”, conta Diego. Já Thaynara Carvalho, ainda não fez sua escolha: “ainda não consegui me decidir”, conta.
Professor dá aula para sala completamente cheia no Frei-Seráfico
Para amenizar essa dificuldade, Ivanize, que também é professora da UFSJ, criou há mais de 20 anos o projeto de extensão “Orientação Profissional nas escolas públicas de São João del-Rei”. São atendidos 150 alunos por ano, através de trabalhos individuais, de grupo e palestras, onde se procura direcionar o interesse dos alunos, trazer conhecimento, realizar pesquisas e encaminhar os estudantes a tomar suas próprias decisões com segurança.
Segundo Ivanize, é feito um trabalho de conscientização com os estudantes. Ajudá-los a fazer uma boa escolha, aproximá-los da realidade e encaminhá-los a uma decisão mais “pé no chão”, são alguns dos objetivos da orientação. “Estudamos os fatores que interferem na escolha, buscamos informações sobre as profissões e tentamos fazer o aluno conhecer não só a profissão, mas principalmente a si mesmo”, explica.
A psicóloga diz que o trabalho é realizado apenas em escolas públicas porque “existem dois tipos de vestibulando: o de escola pública e o de escola particular”. Segundo ela, os alunos de escola particular têm acompanhamento e mais informação, enquanto que a escola pública “dá muito pouca importância a esse momento dos estudantes, deixa o aluno praticamente abandonado”. Por isso o trabalho de Ivanize Lima é voltado para a rede pública.
No colégio particular Instituto Auxiliadora, por exemplo, a psicóloga Pollyanna Andrade Oliveira promove visitas a feiras de profissões em várias universidades, orientação para organizar os estudos, além de palestras de ex-alunos e testes vocacionais. No cursinho preparatório Frei Seráfico também existe um trabalho com psicóloga, mas é mais voltado para a clínica. “A psicóloga tem horários fixos em que os alunos podem marcar uma consulta. Se for necessário um tratamento prolongado, eles são encaminhados para o consultório particular e pagam um valor com desconto”, conta o diretor do Frei Seráfico, Luis Antônio Chaves.

O diretor do colégio e cursinho Frei Seráfico, Luis Antônio Chaves e a Coordenadora do Ensino Médio do Instituto Auxiliadora, Magali Aquino contam o que a escola faz com relação aos vestibulandos:




Historiadora são-joanense publica livro sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial

Por Laura V. Gouvêa e Lívia G. Carvalho

“Montese significa terreno minado, lutas sem trégua, até corpo-a-corpo, sangue, estilhaços, morte de companheiros esquartejados por granadas...” a definição da Tomada de Montese feita pelo Cabo Francisco Pedro ilustra o que os brasileiros, em especial os são-joanenses que compunham o 11º Regimento de Infantaria enfrentaram em sua participação na Segunda Guerra Mundial. O 11ºRI, atualmente conhecido como 11º Batalhão de Infantaria, enviou cinco mil homens à Segunda Guerra, e grande parte foi responsável pela conquista de Montese.

A vitória se deve ao fato do 11º Batalhão de Infantaria ser um dos únicos no Brasil especializados em montanha, característica da cidade de Montese, onde aconteceu uma das principais batalhas da Segunda Guerra Mundial. E foi justamente a data de comemoração da Tomada de Montese, 16 de Abril, que a historiadora são-joanense Virgínia Guimarães Carvalho, escolheu para lançar o livro: Ex-combatentes do Brasil - Entre a Historia e a Memória, que trata desse tema.

Para o historiador e também doutorando em historia pela UFMG, Carlos Malaquias, “o discurso do historiador sobre a participação do Brasil na Segunda Guerra é sempre um discurso polifônico, que tenta dar voz aos vários agentes que tornaram esse fato possível e revelar sua experiência.” No Brasil, apenas sete profissionais, contando com a autora Virgínia Guimarães Carvalho, estudam e trabalham o assunto.

O interesse e a curiosidade pela Segunda Guerra Mundial surgiram por questões familiares. “Sendo neta de um veterano da FEB, que sempre se recusara a falar sobre as situações na Itália, cresci na expectativa de um dia penetrar um pouco mais no mundo daquele homem inconstante e doce que é meu avô paterno” afirma a autora.

Quando iniciou suas pesquisas sobre o tema, algumas ressalvas foram feitas à autora por seus orientadores “sempre pensei em me aprofundar no tema, no entanto quando decidir tratá-lo como minha monografia, alguns professores me desaconselharam, já que para muitos, historiadores e exército não combinam” declarou.

Quando terminou sua monografia de conclusão do curso de História pela Universidade Federal de São João del Rei, Virgínia Guimarães Carvalho se inscreveu em um concurso nacional promovido pela Bibliex e conquistou segundo lugar nacional com o trabalho. Após essa vitória, continuou desenvolvendo o tema em seu mestrado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o que deu origem ao livro: Ex-combatentes do Brasil – Entre a História e a Memória. A publicação conta com 282 páginas e pode ser encontrado nas livrarias do país e através do site www.vihoje.net.

ENTREVISTA COM A AUTORA NO LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=O94qswLh4yM

Sexo seguro com distribuição de preservativos por motéis

Ayalla Nicolau e Rafaela de Aguiar


Nos quartos, os preservativos ficam disponiveis para a compra

Aprovado pelo Senado, o projeto de lei que obriga motéis, hotéis e similares a distribuir preservativos de graça para os hóspedes já está gerando  polêmica entre os empresários do ramo. A medida de autoria da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) ainda vai ser votada pela Câmara  e depende de sanção da presidente Dilma Rousseff. Se aprovada, os estabelecimentos terão seis meses para se adaptar às novas regras.

“É interessante oferecer camisinhas. Acho que vai ajudar na prevenção das DSTs, já que o casal vai tê-las em mãos no momento certo”, opina a enfermeira Joana D’arc Oliveira. Mas, para o gerente de hotel Sérgio Teixeira, a atitude taxará os estabelecimentos de motéis. “Obrigar um hotel a deixar preservativos nos quartos é um absurdo, muitos têm cunho executivo e recebem famílias. Será constrangedor”, afirma.



Com a aprovação da lei, cada casal terá direito a um preservativo masculino ou feminino. O projeto de lei não especifica como será feita a retirada das camisinhas, se elas deverão ser solicitadas ou disponibilizadas nos quartos. O descumprimento da lei será considerado infração à legislação sanitária e acarretará em advertências, multas e cancelamento de alvará.

Nos motéis, raramente são vendidos preservativos femininos. Em um local do tipo em São João del Rei, a unidade de preservativos masculinos são vendidos por R$2, o que gera um lucro de mais de 400% para o motel. “Só trabalhamos com o modelo masculino, compramos por atacado e revendemos para os clientes. Diariamente são vendidos em média 40 preservativos”, explica o supervisor administrativo Ian de Andrade Mackenzie. “Acho que no final do mês, é um valor razoável que deixaremos de ganhar”, completa.


Universitários enfrentam perigos em ciclovia para UFSJ


Alisson Reis e Marcos Paulo Andrade

Buracos, mato alto, iluminação e sinalização precárias, lama nos dias de chuva, blocos de concreto soltos na pista e a falta de um trevo para acesso ao Campus Tancredo Neves (CTan) são perigos constantes para os universitários que usam bicicleta para chegar a esta unidade da UFSJ. À noite, a falta de visibilidade dos ciclistas por causa dos faróis altos dos carros é outro problema que incomoda e coloca em risco a vida dos estudantes que trafegam pela ciclovia, criada em 2006.

Isis Aline Ferreira, 25, que está no 3° período do curso de Teatro e trafega pela ciclovia várias vezes ao dia e à noite, desabafa: “as dificuldades já começam no final da Leite de Castro, onde não existem semáforos que priorizem a passagem dos ciclistas para pegarem a ciclovia”.

O diretor de Departamento da Secretaria Municipal de Obras, Júlio Rabelo Zanetti, diz que a prefeitura está fazendo obras emergenciais. “O problema do barro na ciclovia nós estamos tentando resolver com a instalação de um bueiro próximo ao CAIC, a fim de conter o excesso que desce em dias dia chuva. Quanto aos buracos e à carência de sinalização, a responsabilidade não cabe somente a prefeitura, mas também ao Departamento de Estradas e Rodagens, com sede em Oliveira”, afirma,

Já a reitoria da UFSJ informou, em nota, que vem fazendo gestões junto aos Governos Federal, Estadual e Municipal para a manutenção da ciclovia e do trecho rodoviário, inclusive para melhoria da iluminação. Também reconheceu que o local encontra-se em péssimo estado de conservação, oferecendo riscos aos trabalhadores, alunos e à comunidade que mora, trabalha ou utiliza a via para práticas esportivas.

No comunicado, a reitoria informa, ainda, que “está em tramitação o projeto de construção do trevo do CTAN, obra avaliada em cerca de R$ 5 milhões que inclui a duplicação da rodovia”, além da previsão de troca das lâmpadas num convênio da prefeitura e da Cemig.


Confira a visão noturna dos ciclistas que estudam no CTan neste vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=xv-8i-IwM7s

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