segunda-feira, 18 de abril de 2011

Restaurante une tradição italiana com costumes mineiros


Marcelo Alves e Vinicius Tobias

A massa do Restaurante da Filó preserva e conta 123 anos de histórias de imigrantes italianos que vieram para o Brasil, fugidos da pobreza e da fome na Europa. Passado de mãe para filha, o macarrão caseiro era feito pelas mulheres em ocasiões especiais, como casamentos, batizados, reuniões. Após quatro gerações de vivência na Colônia do Felizardo, a família Taroco, vinda da cidade de Verona, Itália, foi incorporando ingredientes da cultura mineira e mesclando costumes. A interação criou um modo de cozinhar que reúne elementos da Itália com temperos e ervas de Minas Gerais.


A família Taroco imigrou para São João del-Rei na década de 1890 e construiu suas casas em terrenos cedidos pelo o governo para os imigrantes. Eles vieram num contexto pós-escravidão e eram sub-empregados em fazendas da região em troca de comida e proteção. Representante da quarta-geração da família, Valéria Taroco conta que muitos se revoltavam pela pesada carga de trabalhos.


Em reuniões familiares, os pratos italianos eram preparados pelas mulheres, tradição preservada com o passar dos anos. “As receitas vieram do aprendizado que adquiri com minha avó”, relata Valéria. Ela afirma que a família italiana foi se misturando com os mineiros. “Meus tios casaram com brasileiras, italiano gosta de morena e ficou essa mistura”, diz.


Com isso, a culinária foi adquirindo elementos novos. “Fazemos frango com ora-pro-nobis, feijoada, torresmo e quiabo. Mas a parte mais forte é a massa”, explica a cozinheira. Os temperos são herança de família, “mas tem algumas ervas que uso como o alho-poró e o orégano que vieram da culinária mineira. Fizemos a misturinha, um pouco de cada lado para ficar um pouco mineiro, um pouco italiano”.


A produtora cultural, Alzira Agostini Haddad, é fã das comidas preparadas por Valéria Taroco. Ela fez questão de elogiar o restaurante e destacar a qualidade dos pratos. “A Valéria busca preservar a receita italiana e tem um local bem gostoso - a casa dela - onde podemos passar bons momentos comendo uma comidinha caseira de fogão a lenha”, enfatizou Haddad.


Restaurante

O local onde são servidas as delícias é um ambiente espaçoso, caseiro e atendimento personalizado. O restaurante, que abre sábados, domingos e feriados, produz sua própria massa, de receita tradicional, trazida direto da Itália. Lá são servidos pratos diversos, como lasanha, capelete, rondeli, caneloni e risotos para todos os gostos. Os vegetarianos não foram esquecidos e possuem opções especiais.


“É um trabalho de segunda a sexta para produzir a massa do almoço de sábado e domingo” declara Valéria Taroco, comandando a sua aconchegante cozinha. “A gente tem que apertar a massa, deixar descansar, esticá-la e molda-la, além de fazer os recheios e os molhos no dia em que servimos.”


Produção familiar

Isso tudo é produzido em um ambiente aconchegante e familiar, onde trabalham sua tia, avó, filha e amigas. As rotinas de criação são bastante barulhentas, com o rádio alto as mulheres põem a conversa em dia com muita animação. Uma boa vontade que carece à boa culinária.


Valéria conta que a massa tradicional é batida e esticada em tabuleiro de madeira e não de cimento, “isso influi na textura e no gosto da massa”. Os homens não escapam do trabalho. A eles é designada a tarefa de preparar o risoto, como bons mineiros descendentes de italianos, eles se reúnem e cozinham entre gargalhadas e muita cachaça. A aguardente, inclusive, é servida de graça e também é produzida em um alambique da família.


Local

Para desfrutar das delícias caseiras, o visitante deve ir à Colônia do Giarola, virar à direita depois da ponte e percorrer a estrada de terra cercada de árvores por um quilômetro até encontrar a casa colonial onde fica o restaurante. Para entrar em contato com a Filó, o telefone é 9941-4720, ou entrar em contanto pelo e-mail restaurantedafilo@hotmail.com.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

O senhor do tempo

Bruno Ribeiro e Marcelo Alvarenga

O poder de dominar o tempo é um antigo sonho do ser humano. Em São João del-Rei um homem tem esse “poder” nas mãos. Marcos Mendes (59), auxiliar de escritório, é quem faz os ajustes no relógio holandês da bicentenária Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, no centro da cidade.

Marcos diz que começou a freqüentar a igreja em 1961, ainda com nove anos. Na época, só aprendeu a repicar os sinos. Em 1972, deixou de tocá-los, segundo ele, “por estar velho para a função. Resolvi deixar para os meninos, já tinha 20 anos de idade”, diz. Mas ele ainda sabe de cor todos os toques e, ainda hoje, volta a tocar os sinos em alguma emergência, por exemplo, quando faltam sineiros.

O convite para ser o zelador do relógio só veio em 1998, a pedido do então pároco da Catedral do Pilar, Monsenhor Paiva. Foi prontamente aceito. “Antes eram algumas crianças que acertavam o relógio, então me pediram para assumir essa responsabilidade”, completou Marcos.

Todos os dias entre 9h30 e 11h, Mendes vai até a igreja para dar corda no relógio. Para ele é um privilégio ter essa responsabilidade: “Moro perto da matriz, para mim não é nenhum sacrifício ir até lá e dar corda. Muitas pessoas se orientam por ele”, explica.

É o caso do Turismólogo João Paulo Vilella, 30. Ele conta que o hábito começou quando ainda era criança. “Lembro quando ganhei meu primeiro Orient, a primeira coisa que fiz, foi correr até lá para acertar as horas”.

Já a auxiliar administrativa Alessandra Oliveira, 37, diz que seus filhos só começam a se arrumar para a escola quando ouvem as 12 badaladas do meio-dia. “É muito engraçado, eu nem preciso falar com eles, é automático: quando eles ouvem os sinos tocarem o meio-dia, já vão para o quarto e vestem o uniforme”.

Hora Certa

Marcos Mendes conta que, das igrejas mais antigas, a Matriz é a única que tem um relógio em funcionamento. “Se não ouço o sino tocar na hora certa, vou rapidinho até lá para saber o que está acontecendo. Tem gente que até liga para minha casa avisando que o relógio parou”. O zelador diz que a manutenção é feita por outras pessoas e as peças de reposição são confeccionadas, às vezes, na própria cidade.

Assim como os outros sinos da cidade, os do relógio também falam. Após os primeiros 15 minutos da hora, o sino com som mais agudo, dá uma batida. Na metade da hora, o mesmo sino bate o número de vezes correspondente à hora seguinte. Por exemplo, às 6h30 ele bate sete vezes; às 19h30, bate oito vezes. Já no último quarto de hora é a vez do sino com som grave bater uma vez, e na hora exata o mesmo sino bate o número de vezes da hora correspondente.

Visita-Espetáculo desperta novo olhar sobre o Teatro Municipal

Reportagem > Alisson Reis e Marcos Paulo Andrade

Nicolina Moreira e Matheus Augusto, estudantes do 7º ano da Escola Estadual João dos Santos, contam com alegria a experiência que tiveram ao conhecer o Teatro Municipal de São João del-Rei no projeto Visita-Espetáculo. “Fiquei super alegre e ansiosa quando soube que íamos conhecer o Teatro de uma maneira diferente” revela a adolescente. “Pude descobrir que as colunas e esculturas da parte da frente do Teatro são gregas” conta o menino de 12 anos.

De acordo com o diretor do Teatro Municipal de São João del Rei, Vinicius Araujo, desde o início, o projeto permite que turistas e, principalmente, jovens estudantes da rede pública municipal e estadual conheçam a história do Teatro Municipal de São João Del-Rei através da arte, despertando assim, o interesse deles pela cultura. “Aos turistas damos a oportunidade de aprender um pouco mais da história da nossa cidade e visitar um dos mais belos teatros do Brasil, pois os são-joanenses devem sentir orgulho de terem um do espaço como este, uma vez que, muitas cidades de grande porte no país não possuem essa infra-estrutura”, ressalta o diretor, que tem ótimas expectativas para as atividades deste ano.

O projeto, gratuito, é destinado a crianças e adolescentes a partir do 4º ano, assim como a grupos de turistas. Em cada sessão, são 45 estudantes. Durante o passeio, com duração de quase 80 minutos, os alunos recebem informações históricas de quando e como foi construído o teatro da cidade, conhecem como é feita a parte técnica de iluminação e cenário, percorrem os camarins, o palco e a sala técnica, além de assistirem a uma peça ao final do passeio cultural.

Após a temporada 2010, a iniciativa do Curso de Teatro da UFSJ, sob direção geral da professora Ana Dias, agora faz parte do Programa de Extensão “Teatro, Memória e Patrimônio Cultural”.

Para o ator Talles Ramon Ferreira de Almeida, aluno do 5° período do curso de Teatro da UFSJ, o que mais chama atenção é a receptividade dos adolescentes e jovens. “Foi super interessante, pois muitos nunca haviam ido ao teatro e assistido a peças. Eles viam os atores como se fossem da televisão. Foi uma coisa muito positiva”, avalia.

Para abril, já existem duas datas. As primeiras escolas a entrarem em contato com a equipe do programa poderão fazer as visitas já nos dias 13 e 24 deste mês, às 15h. A contrapartida da escola é o preenchimento, pelos alunos e acompanhantes, de um questionário, enviado com antecedência pela coordenação do Visita-Espetáculo.

Reservas e mais informações através do site http://www.visitaespetaculo.com.br

Estudantes da E.E.João dos Santos comentam a Visita-Espetáculo.

Santa Cruz de Minas: verba de R$ 1 mi pode ser devolvida

Prefeito alega que há dificuldades em encontrar terreno para construção de creche; vereadores discordam.
Carol Slaibi e Eduardo Maia

Um milhão de reais poderá ser devolvido ao Governo Federal pela Prefeitura de Santa Cruz de Minas (MG) ainda este ano. O recurso, que deveria ser empregado na construção de uma creche, foi repassado pelo Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 2008 e, até o momento, o Executivo enfrenta impasses para a obtenção de um terreno que atenda às normas impostas.

De acordo com o prefeito José Antônio dos Santos (PP), o Padre, o recurso foi adquirido na gestão anterior e o terreno preparado para a construção da creche não atendia às normas do FNDE. “Foi feita uma denúncia ao Ministério Público de que o terreno seria inundável e, portanto, inviável para se construir”, afirma.

O prefeito afirmou que há dificuldades de se encontrar um terreno na cidade que atenda aos requisitos impostos. “Há terreno aqui para ser construído, mas não é da prefeitura. E custa, no mínimo, R$ 500 mil. O recurso disponibilizado para a creche é apenas para a construção, não para aquisição de terreno. E se eu não conseguir o terreno, tenho que devolver. O que eu posso fazer? Isso não acontece só no município de Santa Cruz não. No governo federal, no governo estadual, em todos os governos de município aqueles recursos que foram recebidos através de convênio e não foram executados têm que ser devolvidos”, desabafa.

Para tentar contornar o problema, Padre diz que a solução é criar uma creche municipal independente da origem de recursos. “Mesmo que se construa a creche com o recurso federal, a lei tem que ser feita, porque a creche vai ser mantida com recursos do município”, justifica o prefeito.

O projeto já está na Câmara, mas causa polêmica. A oposição alega que o prefeito é contrário à construção da creche por divergência partidária. “Por que ele tem um milhão em mãos e não usa a verba federal? Eu mesmo arrisco em responder: ele não gosta do Governo Federal, da verba que principalmente foi destinada por um deputado que ele não gosta também”, declara o vereador José Antônio da Silva (PDT), o Toninho da Farmácia, referindo-se ao deputado federal Reginaldo Lopes (PT).

O vereador conta que uma comissão do Legislativo foi à Brasília no ano passado para solicitar o prolongamento do prazo de execução da obra para dezembro de 2011. Segundo ele, será a terceira vez que o Executivo devolverá recursos à esfera federal por falta de planejamento. “Já foram devolvidos aproximadamente R$ 1,4 milhão enviados para saneamento básico por falta de projeto e também R$ 108 mil, destinados à compra de aparelho de raio-X e ele disse que não tem demanda”, desabafa.

Toninho da Farmácia relata que em um levantamento informal feito por ele e mais alguns vereadores, foram contabilizadas “cerca de 130 mulheres que têm que trabalhar e não tem onde deixar seus filhos. Fui procurado por uma trabalhadora que ganha salário mínimo, paga R$ 150 de aluguel e, absurdamente, R$ 130 para tomarem conta de seus filhos”, revela.

Faltam vagas

Santa Cruz de Minas conta apenas com uma creche filantrópica para atendimento de toda comunidade. Atende a 70 crianças e tem uma fila de espera de mais 50. A coordenadora da entidade, Janaína Chagas, diz que “as mães vêm procurar vaga, a gente anota os dados em uma lista e, à medida que vão surgindo vagas, a gente vai chamando”. Mantida pelas Obras Sociais Fé e Alegria (OSFA), a creche, segundo Janaína, também enfrenta a falta de recursos.

Como forma de auxiliar no funcionamento da entidade, desde o ano passado foi adotado o projeto de apadrinhamento, realizado por voluntários da cidade. Os recursos obtidos pelas doações são empregados na escolarização e alimentação das crianças. “Você ajuda com cinco ou dez reais por mês, e em datas comemorativas doa-se um presente, fazendo com que as crianças sintam-se realmente apadrinhadas”, finaliza Janaína.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Alto índice de infestação predial da dengue assusta São João del Rei

Ana Luiza Fernandes e Mariele Velloso
O índice de infestação predial de mosquito da dengue em São João del-Rei é quase quatro vezes maior do que o aceitável pelo Ministério da Saúde. Segundo o Setor d
e Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de alerta que a infestação predial do mosquito da dengue está alta na cidade. O índice tolerável é de 1%, enquanto no município chega a 3,7%, sendo considerado alto risco.
Para reduzir esse número, várias ações estão sendo realizadas, desde a limpeza de terrenos baldios até Blitz Educativa na Avenida Leite de Castro, que contou com o apoio da Polícia Militar. Os agentes de saúde distribuíram panfletos para conscientizar a população, apesar de uma enquete feita pelo site do Jornalismo Online mostrar que os cidadãos ainda desconhecem essa realidade.
A Vigilância Epidemiológica revela, ainda, que embora o índice de infestação, ou seja, de criadouros do mosquito Aedes Aegypti esteja alto, o número de pessoas infectadas ainda é baixo. Até agora, só um caso foi confirmado, mas há vinte suspeitas.
O exame para detectar a dengue só é feito em Belo Horizonte.
A diretora do Setor de Epidemiologia do município, Eliene Freitas, garantiu que 90% dos focos do mosquito estão em residências e solicita que a população se mobilize para solucionar o problemas que é de todos.

Segundo a Secretaria de Saúde, há focos do mosquito em todos os bairros, mas a infestação é maior em Santa Teresinha, Cohab, Dom Bosco, Centro e Colônia.
Os locais mais freqüentes da reprodução dos mosquitos são as caixas d’água, tambores utilizados para armazenar água, vasos de planta e garrafas PET.
Prevenção
A prevenção é a única arma contra a doença. A melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhosde plantas, jarros de flores, garrafas, caixas dágua, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Em São João del-Rei, doces fazem a história

Ingrid Andrade e Natália Silva

Resgatar a história e a memória da cidade a partir da gastronomia. Esse é o trabalho realizado pelo projeto “Delícias de Antigamente”, que preserva a cultura local com a produção de guloseimas caseiras: doce de leite na palha, pirulito de mel, quebra-queixo, puxa-puxa, beijo quente, pé-de-moleque, amendoim, amêndoas, entre outras, além de contribuir com a profissionalização coletiva, criação de trabalho e renda, valorizando a identidade de São João del-Rei.
Alzira Haddad, coordenadora do projeto.
O projeto foi criado em 2000, pelo Núcleo de Assessoria Cultural (NAC), após a restauração do largo do São Francisco e, desde 2005, é desenvolvido pela Atitude Cultural sob coordenação de Alzira Haddad. O “Delícias de Antigamente” é um produto turístico da cidade, uma vez que está presente em festas tradicionais como, o fim de ano e férias cultural, semana santa cultural e carnaval de antigamente, explica a coordenadora. Apesar de cadastrados no projeto, os doceiros são incentivados a trabalhar independentemente dos eventos da cidade.
Os integrantes do projeto recebem orientações sobre como tratar os clientes, questões de higiene e embalagens e as maneiras de apresentar a cidade aos turistas. De acordo com a coordenadora a iniciativa é importante porque, na maioria dos casos, o ofício sustenta a família, e, portanto, é válido saber lidar com o público. Além disso, a inclusão no projeto proporciona aos participantes a regulamentação da atividade e uniformização, o que dá maior credibilidade.
Alzira Haddad afirma que o envolvimento com a culinária tradicional faz confundir história e memória. Segundo ela, a gastronomia está intimamente relacionada com o passado e presente da cidade. “As pessoas que trabalham no projeto, já tinham a produção de guloseimas presente na história de família, já haviam sido instruídos por seus pais, tios e avós”, afirma.

Outras informações e cadastro no projeto no site:

Mestre Edna
A doceira Edna dos Santos

Edna dos Santos foi a primeira inscrita no projeto “Delícias e Antigamente”. Antes de se cadastrar no projeto, Edna já trabalhava com guloseimas. Experiente, desde os dez anos se vê às voltas com muitas receitas. Seu pai, descendente de escravos, para sustentar os 17 filhos, fazia doces com a ajuda de toda família, vendendo-os em campos de futebol, festas, praças e esquinas.
Edna delicia turistas e moradores pelas ruas da histórica cidade de São João del-Rei, no espaço da Estação Ferroviária da Maria Fumaça, nos eventos da Atitude Cultural e outros tantos. É reconhecida como representante do patrimônio da cidade, com um vasto currículo e matérias de jornais, agendas, revistas e TVs, inclusive internacionais. Em 2009, Edna recebeu um prêmio e o diploma de mestre pelo Ministério da Cultura, em observância à Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais.

Vídeo de Edna na praça da estação ferroviária de São joão del-Rei:


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Exposição retrata Tancredo Neves durante a redemocratização do Brasil

João Eurico e Quéfrem Vieira

Encontra-se no Museu Regional de São João del-Rei a exposição “Tancredo e a Redemocratização Brasileira”. A mostra contém uma coleção de primeiras páginas do extinto jornal impresso Jornal do Brasil, datadas de 1979 até 1985. As manchetes evidenciam desde a participação do político mineiro Tancredo Neves na redemocratização do país, até sua morte, pouco após ter se elegido presidente.
Foto: Quéfrem Vieira
Ryanddre Sampaio, museólogo da instituição, explica que a exposição é uma parceria com o Museu da República, do Rio de Janeiro. Segundo ele, todas as exposições temporárias são escolhidas com um propósito regional, de fomentar a memória de São João del-Rei e das cidades vizinhas. Ryanddre explica que é importante para a região que o Museu ofereça conteúdo ligado à história local, e isso, somado às comemorações dos 100 anos vida de Tancredo Neves em 2010, foram os porquês da escolha do tema.

Visitante da exposição, Daniel Silva afirma ser importante para a região exposições que destaquem personagens da mesma.
“É desta forma que podemos visualizar o impacto nacional de personagens tão conhecidos por aqui, como é o caso de Tancredo Neves. É importante também para fomentar o turismo da cidade” comenta.

As manchetes do Jornal do Brasil retratam momentos distintos da vida de Tancredo, como sua eleição ao governo de Minas Gerais em 1982 e sua escalada à presidência em 1985, cargo do qual não chegou a ser oficialmente empossado, visto que morreu antes. Destacam-se na exposição manchetes sobre seu caráter, como “Tancredo, o candidato da conciliação” e “Tancredo para presidente”, e também sobre momentos finais da vida do político: “Tancredo está morrendo” e “Agonia de Tancredo comove nação”.

A exposição conta ainda com livros que narram a história de Tancredo Neves, além de apresentar objetos curiosos do movimento “Diretas-Já”, como botons e camiseta. Ryanddre estima que a exposição já tenha recebido cerca de 4200 visitantes.

Devido ao seu sucesso, a mostra foi prorrogada por mais um mês, e permanecerá em funcionamento até a semana seguinte à Semana Santa.

O Museu Regional de São João del-Rei

O Museu Regional foi aberto ao público em 1963.
Seu acervo principal é do século XVIII e XIX, entre as que mais chamam a atenção dos visi
tantes são os instrumentos de transporte como as liteiras e a serpentina, os oratórios, e o mobiliário, como camas e arcas. Destaque também para os Santos de Vestir, e ao quadro “Retrato de Menina”. O museu conta ainda com dois enormes painéis encomendados em 1957: o primeiro traz desenho de peças exemplares de arquitetura, mobiliário e indumentária, já o outro apresenta figuras da malha urbana são-joanense.
Foto: Quéfrem Vieira
De acordo com o museólogo e atual diretor da instituição, João Luis Domingues Barbosa, existem dois tipos de exposição: a permanente, uma coleção de peças dos períodos colonial e imperial; e uma área destinada a exposições temporárias. O MURSJdR apresenta também quatro exposições curtas ao longo do ano: uma próxima à Semana Santa, uma na Semana do Meio Ambiente, uma em dezembro, para as comemorações do aniversário da cidade de São João del-Rei, e uma última com tema não definido. Todas as exposições são selecionadas pelo diretor da instituição.

O Museu Regional é localizado na Rua Marechal Deodoro, 12, no centro da cidade, e está aberto de terça a domingo, das 12:30 as 17:30, e cobra a simbólica quantia de um real pela entrada.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

UFSJ discute política de Comunicação


Adriano Moura, Ana Gabriela e Wanderson Nascimento

Palestrantes Élen Geraldes (esquerda) e Márcio Simeone. No centro, a professora do curso de Comunicação, Filomena Bomfim


 “A informação unilateral é um erro numa comunicação organizacional”. A opinião é da professora Élen Geraldes, pesquisadora do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (Lapcom), que participou do 1º Seminário de Comunicação da UFSJ e tratou da importância da comunicação nas organizações.

Outro palestrante, o professor Márcio Simeone, do Departamento de Comunicação Social da Federal de Minas Gerais, discutiu os desafios da formulação de uma política de comunicação universitária. Para ele, é fundamental saber lidar com a diversidade interna e as sub-culturas diferenciadas presentes nessas instituições.

Para o Assessor de Comunicação da UFSJ, Mauro Lovatto, o importante é garantir uma maior participação da comunidade. Ele acredita que a assessoria tenta acompanhar o crescimento da UFSJ investindo em novas mídias, como a rádio universitária. “A universidade tem mais professores, mais valores, mais idéias e novas mídias para a gente poder atuar”, afirmou. Já  o Diretório Central de Estudantes (DCE -UFSJ) defende a criação de um Conselho Democrático, composto por alunos, professores e técnicos- administrativos, para a criação da Política de Comunicação.

O evento foi transmitido ao vivo pela internet e o vídeo do seminário pode ser acessado no http://www.ufsj.edu.br/ascom/. O 1º Seminário sobre Política de Comunicação da UFSJ foi organizado pela Assessoria de Comunicação (Ascom) em parceria com o curso de Comunicação Social, representado pela professora Filomena Bomfim e pelos alunos Ingrid Andrade e Paulo Eduardo Maia. Assista ao vídeo em que aluno Thallysson Alves, aluno do primeiro período de Jornalismo da UFSJ, mostra sua opinião sobre o que ele pensa que vai mudar na universidade com a criação de uma política de comunicação.



 Ouça também a declaração da professora Filomena Bomfim sobre a importancia de uma política de comunicação para a UFSJ.

Avenida Leite de Castro: Saúde e Bem-Estar

Rafaela Soares e Samantha Cardoso

A aposentada Jaqueline Leandro Portela caminha todos os dias na Avenida Leite de Castro e afirma que se sente nervosa quando não pode ir. Com a caminhada, aliada à hidroginástica, ela busca fortalecer sua musculatura, uma vez que passou por uma cirurgia de hérnia de disco. Para ela, além da saúde e da boa forma, o exercício é uma distração. Já a autônoma Maria Alice Nascimento associa a prática à sensação de liberdade. Segundo ela, assim é possível manter a saúde em dia e conhecer novas pessoas. Além disso, caminhar na avenida pública é fácil por não exigir compromissos com horários específicos e ser de graça.
De acordo com a professora de Educação Física, Amália Aparecida Costa, quando praticada de maneira correta, a caminhada auxilia na queima de calorias, contribuindo assim para o emagrecimento. Contudo essa queima é variável, dependendo do metabolismo do praticante. Ela também alerta que é essencial o aquecimento antes dos exercícios, para evitar câimbras ou lesões nas articulações. Nos primeiros vinte minutos de caminhada, a pessoa apenas aquece corpo, só depois disso começa a queimar calorias. Também é necessária uma freqüência de 30 a 50 minutos, de três e cinco vezes por semana para que o resultado seja satisfatório.
“A caminhada é uma atividade física muito benéfica para a saúde, de forma geral”. A opinião é da médica Cláudia Aparecida Santos. Segundo ela, é um exercício muito recomendado porque auxilia no condicionamento físico e cardio-pulmonar. É uma atividade leve, quase sem contra-indicação, restrita, por exemplo, a quem tem problema cardíaco sério, artrose ou sequela de alguma fratura. É necessária uma avaliação profissional para que não haja qualquer risco para a saúde do praticante.

Riscos e benefícios

Segundo o IOS (Instituto Ortopedia e Saúde) a caminhada, aliada à prática de hábitos saudáveis, auxilia no controle de colesterol e de diabetes, na prevenção de osteoporose, no fortalecimento de ossos e músculos e ainda emagrece. É adequada para todas as idades, além de ser uma prática barata que pode ser feita ao ar livre.
O site da revista Corpo a Corpo sugere atenção a detalhes pequenos, mas muito importantes para que o benefício seja completo. As roupas devem ser de tecido leve que favoreça a transpiração, como o algodão. Os sapatos devem ser adequados, como um tênis confortável que não canse e não prejudique a postura.Em dias ensolarados, o horário adequado é até às 10 da manhã e depois das 17 horas. O local para a prática deve ser seguro, ventilado e em terrenos regulares.





terça-feira, 5 de abril de 2011

BR 265, acidentes e imprudência

Suellen Passarelli e Talita Andrade


De Janeiro até final do mês de março de 2011, já foram registrados 34 acidentes envolvendo 37 vítimas leves, 20 vítimas graves e 3 vítimas fatais na BR 265 que corta a cidade de São João Del rei. Segundo o 1º Tenente e Comandante do 1º Pelotão de Meio Ambiente e Trânsito, Ricardo Beline Mufato de Souza, a rodovia é responsável por 70% dos acidentes rodoviários na região.


Foto: Polícia Militar

A Décima Terceira CIA PM Ind. De Meio Ambiente e Trânsito, 1º Pelotão PM Rodoviário, é responsável pelo trecho que vai das cidades de Barbacena e Barroso até a cidade de Itutinga. Segundo o 1º pelotão, a rodovia necessita de mudanças em sua estrutura desde a melhoria da sinalização, iluminação até a adaptação e instalação de radares.

Além das condições climáticas e estruturais da estrada, o Tenente e Comandante Ricardo afirma que a principal causa de acidentes é a imprudência dos condutores, e cita como exemplo a falta de atenção dos motoristas, excesso de velocidade em locais onde a mesma deve ser reduzida e as ultrapassagens perigosas em locais proibidos. Afirma também que o tráfego de veículos pesados é consideravelmente alta, devido à ligação com as importantes rodovias: a BR 040 e a BR 381, conhecida como Fernão Dias. Isso acontece em virtude da falta de balanças e fiscalização desses veículos, aumentando o fluxo de carretas, caminhões e ônibus, o que eleva o número de acidentes com esses veículos.

Os acidentes com vítimas fatais aumentaram ao longo dos últimos cinco anos, como pode ser visto no gráfico a seguir.

Segundo o Sargento Adriano, isso se deve ao aumento da venda de veículos, o que aumenta diretamente no fluxo nas estradas, e aponta a chuva como um fator agravante nos acidentes. Já no ano de 2011, segundo o 1ª batalhão, os acidentes no período do carnaval foram em grande escala, e alguns tiveram resultados preocupantes. Segundo o site G1, no dia 15 de março, um acidente próximo à cidade de Barbacena, envolveu um carro e um ônibus com destino à cidade de São João Del rei, no qual quatro pessoas morreram e uma ficou ferida.

Como um importante elo entre diversas regiões do estado, a BR 265 com seu relevo acidentado e antigo, em alguns trechos, segundo Anderson de Aquino, caminhoneiro, pode ser um grande culpado pelos acidentes aliado com a imprudência dos motoristas já que a estrada possui curvas em pontes, curvas muito acentuadas e sem sinalização e trechos propícios a aquaplanagem. Segundo Rafael da Costa Cardoso, motorista, o trecho da rodovia que liga São João Del rei à Barbacena sofre de todos esses problemas como as curvas acentuadas, buracos por toda a extensão da estrada, e a falta de sinalização, e já presenciou diversos acidentes que envolviam carros e caminhões tombados. Com a expansão da Universidade Federal de São João Del Rei, diversos alunos que vão estudar na cidade passam pela rodovia e também sofrem com a falta de infra-estrutura e convivem com a insegurança passando por trechos tão defasados, como conta a aluna de Jornalismo Laura Vaccarini Gouvêa, natural de Juiz de Fora, que já chegou a ficar parada na estrada por duas horas devido a um acidente que envolvia um caminhão.

Podcast: Trecho da entrevista com o caminhoneiro




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