Marcos diz que começou a freqüentar a igreja em 1961, ainda com nove anos. Na época, só aprendeu a repicar os sinos. Em 1972, deixou de tocá-los, segundo ele, “por estar velho para a função. Resolvi deixar para os meninos, já tinha 20 anos de idade”, diz. Mas ele ainda sabe de cor todos os toques e, ainda hoje, volta a tocar os sinos em alguma emergência, por exemplo, quando faltam sineiros.
O convite para ser o zelador do relógio só veio em 1998, a pedido do então pároco da Catedral do Pilar, Monsenhor Paiva. Foi prontamente aceito. “Antes eram algumas crianças que acertavam o relógio, então me pediram para assumir essa responsabilidade”, completou Marcos.
Todos os dias entre 9h30 e 11h, Mendes vai até a igreja para dar corda no relógio. Para ele é um privilégio ter essa responsabilidade: “Moro perto da matriz, para mim não é nenhum sacrifício ir até lá e dar corda. Muitas pessoas se orientam por ele”, explica.
É o caso do Turismólogo João Paulo Vilella, 30. Ele conta que o hábito começou quando ainda era criança. “Lembro quando ganhei meu primeiro Orient, a primeira coisa que fiz, foi correr até lá para acertar as horas”.
Já a auxiliar administrativa Alessandra Oliveira, 37, diz que seus filhos só começam a se arrumar para a escola quando ouvem as 12 badaladas do meio-dia. “É muito engraçado, eu nem preciso falar com eles, é automático: quando eles ouvem os sinos tocarem o meio-dia, já vão para o quarto e vestem o uniforme”.
Hora Certa
Marcos Mendes conta que, das igrejas mais antigas, a Matriz é a única que tem um relógio em funcionamento. “Se não ouço o sino tocar na hora certa, vou rapidinho até lá para saber o que está acontecendo. Tem gente que até liga para minha casa avisando que o relógio parou”. O zelador diz que a manutenção é feita por outras pessoas e as peças de reposição são confeccionadas, às vezes, na própria cidade.
Assim como os outros sinos da cidade, os do relógio também falam. Após os primeiros 15 minutos da hora, o sino com som mais agudo, dá uma batida. Na metade da hora, o mesmo sino bate o número de vezes correspondente à hora seguinte. Por exemplo, às 6h30 ele bate sete vezes; às 19h30, bate oito vezes. Já no último quarto de hora é a vez do sino com som grave bater uma vez, e na hora exata o mesmo sino bate o número de vezes da hora correspondente.
Reportagem > Alisson Reis e Marcos Paulo Andrade Nicolina Moreira e Matheus Augusto, estudantes do 7º ano da Escola Estadual João dos Santos, contam com alegria a experiência que tiveram ao conhecer o Teatro Municipal de São João del-Rei no projeto Visita-Espetáculo. “Fiquei super alegre e ansiosa quando soube que íamos conhecer o Teatro de uma maneira diferente” revela a adolescente. “Pude descobrir que as colunas e esculturas da parte da frente do Teatro são gregas” conta o menino de 12 anos.
De acordo com o diretor do Teatro Municipal de São João del Rei, Vinicius Araujo, desde o início, o projeto permite que turistas e, principalmente, jovens estudantes da rede pública municipal e estadual conheçam a história do Teatro Municipal de São João Del-Rei através da arte, despertando assim, o interesse deles pela cultura. “Aos turistas damos a oportunidade de aprender um pouco mais da história da nossa cidade e visitar um dos mais belos teatros do Brasil, pois os são-joanenses devem sentir orgulho de terem um do espaço como este, uma vez que, muitas cidades de grande porte no país não possuem essa infra-estrutura”, ressalta o diretor, que tem ótimas expectativas para as atividades deste ano.
O projeto, gratuito, é destinado a crianças e adolescentes a partir do 4º ano, assim como a grupos de turistas. Em cada sessão, são 45 estudantes. Durante o passeio, com duração de quase 80 minutos, os alunos recebem informações históricas de quando e como foi construído o teatro da cidade, conhecem como é feita a parte técnica de iluminação e cenário, percorrem os camarins, o palco e a sala técnica, além de assistirem a uma peça ao final do passeio cultural.
Após a temporada 2010, a iniciativa do Curso de Teatro da UFSJ, sob direção geral da professora Ana Dias, agora faz parte do Programa de Extensão “Teatro, Memória e Patrimônio Cultural”.
Para o ator Talles Ramon Ferreira de Almeida, aluno do 5° período do curso de Teatro da UFSJ, o que mais chama atenção é a receptividade dos adolescentes e jovens. “Foi super interessante, pois muitos nunca haviam ido ao teatro e assistido a peças. Eles viam os atores como se fossem da televisão. Foi uma coisa muito positiva”, avalia.
Para abril, já existem duas datas. As primeiras escolas a entrarem em contato com a equipe do programa poderão fazer as visitas já nos dias 13 e 24 deste mês, às 15h. A contrapartida da escola é o preenchimento, pelos alunos e acompanhantes, de um questionário, enviado com antecedência pela coordenação do Visita-Espetáculo.
Reservas e mais informações através do site http://www.visitaespetaculo.com.brUm milhão de reais poderá ser devolvido ao Governo Federal pela Prefeitura de Santa Cruz de Minas (MG) ainda este ano. O recurso, que deveria ser empregado na construção de uma creche, foi repassado pelo Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) em 2008 e, até o momento, o Executivo enfrenta impasses para a obtenção de um terreno que atenda às normas impostas.
De acordo com o prefeito José Antônio dos Santos (PP), o Padre, o recurso foi adquirido na gestão anterior e o terreno preparado para a construção da creche não atendia às normas do FNDE. “Foi feita uma denúncia ao Ministério Público de que o terreno seria inundável e, portanto, inviável para se construir”, afirma.
O prefeito afirmou que há dificuldades de se encontrar um terreno na cidade que atenda aos requisitos impostos. “Há terreno aqui para ser construído, mas não é da prefeitura. E custa, no mínimo, R$ 500 mil. O recurso disponibilizado para a creche é apenas para a construção, não para aquisição de terreno. E se eu não conseguir o terreno, tenho que devolver. O que eu posso fazer? Isso não acontece só no município de Santa Cruz não. No governo federal, no governo estadual, em todos os governos de município aqueles recursos que foram recebidos através de convênio e não foram executados têm que ser devolvidos”, desabafa.
Para tentar contornar o problema, Padre diz que a solução é criar uma creche municipal independente da origem de recursos. “Mesmo que se construa a creche com o recurso federal, a lei tem que ser feita, porque a creche vai ser mantida com recursos do município”, justifica o prefeito.
O projeto já está na Câmara, mas causa polêmica. A oposição alega que o prefeito é contrário à construção da creche por divergência partidária. “Por que ele tem um milhão em mãos e não usa a verba federal? Eu mesmo arrisco em responder: ele não gosta do Governo Federal, da verba que principalmente foi destinada por um deputado que ele não gosta também”, declara o vereador José Antônio da Silva (PDT), o Toninho da Farmácia, referindo-se ao deputado federal Reginaldo Lopes (PT).
O vereador conta que uma comissão do Legislativo foi à Brasília no ano passado para solicitar o prolongamento do prazo de execução da obra para dezembro de 2011. Segundo ele, será a terceira vez que o Executivo devolverá recursos à esfera federal por falta de planejamento. “Já foram devolvidos aproximadamente R$ 1,4 milhão enviados para saneamento básico por falta de projeto e também R$ 108 mil, destinados à compra de aparelho de raio-X e ele disse que não tem demanda”, desabafa.
Toninho da Farmácia relata que em um levantamento informal feito por ele e mais alguns vereadores, foram contabilizadas “cerca de 130 mulheres que têm que trabalhar e não tem onde deixar seus filhos. Fui procurado por uma trabalhadora que ganha salário mínimo, paga R$ 150 de aluguel e, absurdamente, R$ 130 para tomarem conta de seus filhos”, revela.
Faltam vagas
Santa Cruz de Minas conta apenas com uma creche filantrópica para atendimento de toda comunidade. Atende a 70 crianças e tem uma fila de espera de mais 50. A coordenadora da entidade, Janaína Chagas, diz que “as mães vêm procurar vaga, a gente anota os dados em uma lista e, à medida que vão surgindo vagas, a gente vai chamando”. Mantida pelas Obras Sociais Fé e Alegria (OSFA), a creche, segundo Janaína, também enfrenta a falta de recursos.



| Alzira Haddad, coordenadora do projeto. |
| A doceira Edna dos Santos |
| Palestrantes Élen Geraldes (esquerda) e Márcio Simeone. No centro, a professora do curso de Comunicação, Filomena Bomfim |
Suellen Passarelli e Talita Andrade
De Janeiro até final do mês de março de 2011, já foram registrados 34 acidentes envolvendo 37 vítimas leves, 20 vítimas graves e 3 vítimas fatais na BR 265 que corta a cidade de São João Del rei. Segundo o 1º Tenente e Comandante do 1º Pelotão de Meio Ambiente e Trânsito, Ricardo Beline Mufato de Souza, a rodovia é responsável por 70% dos acidentes rodoviários na região.
Foto: Polícia Militar
A Décima Terceira CIA PM Ind. De Meio Ambiente e Trânsito, 1º Pelotão PM Rodoviário, é responsável pelo trecho que vai das cidades de Barbacena e Barroso até a cidade de Itutinga. Segundo o 1º pelotão, a rodovia necessita de mudanças em sua estrutura desde a melhoria da sinalização, iluminação até a adaptação e instalação de radares.
Além das condições climáticas e estruturais da estrada, o Tenente e Comandante Ricardo afirma que a principal causa de acidentes é a imprudência dos condutores, e cita como exemplo a falta de atenção dos motoristas, excesso de velocidade em locais onde a mesma deve ser reduzida e as ultrapassagens perigosas em locais proibidos. Afirma também que o tráfego de veículos pesados é consideravelmente alta, devido à ligação com as importantes rodovias: a BR 040 e a BR 381, conhecida como Fernão Dias. Isso acontece em virtude da falta de balanças e fiscalização desses veículos, aumentando o fluxo de carretas, caminhões e ônibus, o que eleva o número de acidentes com esses veículos.
Os acidentes com vítimas fatais aumentaram ao longo dos últimos cinco anos, como pode ser visto no gráfico a seguir.
Segundo o Sargento Adriano, isso se deve ao aumento da venda de veículos, o que aumenta diretamente no fluxo nas estradas, e aponta a chuva como um fator agravante nos acidentes. Já no ano de 2011, segundo o 1ª batalhão, os acidentes no período do carnaval foram em grande escala, e alguns tiveram resultados preocupantes. Segundo o site G1, no dia 15 de março, um acidente próximo à cidade de Barbacena, envolveu um carro e um ônibus com destino à cidade de São João Del rei, no qual quatro pessoas morreram e uma ficou ferida.
Como um importante elo entre diversas regiões do estado, a BR 265 com seu relevo acidentado e antigo, em alguns trechos, segundo Anderson de Aquino, caminhoneiro, pode ser um grande culpado pelos acidentes aliado com a imprudência dos motoristas já que a estrada possui curvas em pontes, curvas muito acentuadas e sem sinalização e trechos propícios a aquaplanagem. Segundo Rafael da Costa Cardoso, motorista, o trecho da rodovia que liga São João Del rei à Barbacena sofre de todos esses problemas como as curvas acentuadas, buracos por toda a extensão da estrada, e a falta de sinalização, e já presenciou diversos acidentes que envolviam carros e caminhões tombados. Com a expansão da Universidade Federal de São João Del Rei, diversos alunos que vão estudar na cidade passam pela rodovia e também sofrem com a falta de infra-estrutura e convivem com a insegurança passando por trechos tão defasados, como conta a aluna de Jornalismo Laura Vaccarini Gouvêa, natural de Juiz de Fora, que já chegou a ficar parada na estrada por duas horas devido a um acidente que envolvia um caminhão.
Podcast: Trecho da entrevista com o caminhoneiro