sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alta de preço não assusta consumidores

Por Marcus Santiago e Michele Santana

       Cuidar da higiene pessoal e manter a aparência está ficando mais caro que a inflação. Foi o que apontou uma pesquisa do IBGE numa comparação feita com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de abril. Apesar de o IPCA, que mede a inflação, ter registrado variação de 0,77% em abril contra 0,79% em março, a variação dos gastos com saúde e cuidados pessoais saiu de 0,45% para 0,98%. A pesquisa, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que para o consumidor, os aumentos chegam a superar o IPCA dos últimos 12 meses, que teve variação de 6,51%, 0,01 ponto percentual acima da meta nacional.
Foto Marcus Santiago
            Apesar de o aumento ser real, comerciantes e consumidores concordam que esse aumento não é tão alarmante quanto parece ser.
            Liliane Silva, vendedora de cosméticos há mais de 14, diz que o aumento é real, mas que não interfere diretamente no contato com o consumidor. “O aumento chegou até nós, mas ainda não é prejudicial já que muitas pessoas consideram os produtos de beleza como bens de necessidade primária”, afirma. Ela, que abriu uma loja recentemente, diz que tem uma clientela fixa e que a alta dos preços não faz com que as pessoas parem de comprar. “Os preços não interferem porque os clientes buscam produtos de qualidade e as empresas também estão investindo nisso para conquistar seus consumidores. Isso alimenta o mercado que nunca deixa de ser movimentado”, comenta.
            Outro fator apontado por Liliane que contribuiu para a aceitação da alta de preços pelo consumidor é a postura do vendedor. “O vendedor tem que ter ‘jogo de cintura’ para mostrar ao cliente que os preços subiram e convencê-lo de que vale a pena pagar um pouco mais por um produto de qualidade” explica.  A comerciante ainda diz que se o vendedor não souber o que vende e não souber o que dizer quando os preços aumentam, vai perder clientes.
            Assim como Liliane, Lucilene Resende, esteticista, concorda que os preços subiram, mas que não sentiu grandes diferenças. Ela, que trabalha há 9 anos, diz que não sentiu muito os reflexos do aumento porque todo ano faz estoque de material, principalmente de cera depilatória, uma das ferramentas do seu trabalho. “Como posso comprar uma grande quantidade de cera e estocar ainda não percebi o aumento, mas outros produtos com os quais trabalho aumentaram sim mas meus clientes não deixam de comprar” afirma.
            Lucilene ainda diz que todos os anos aumenta os preços dos serviços e que apenas alguns poucos clientes reclamam. “Sempre tem aqueles que não acham justo o aumento, mas não deixam de utilizar meus serviços porque precisam e as preocupações com a estética e a aparência falam sempre mais alto” acrescenta. A esteticista, que atende no consultório construído em casa, ainda ressalta que além da necessidade, mostrar um serviço de qualidade faz toda a diferença para quem trabalha nessa área. “Além de as pessoas precisarem cuidar do corpo e da aparência, elas procuram aqueles lugares que são limpinhos e certificados pela vigilância sanitária. Um ambiente limpo e bem cuidado, assim como o trabalho bem feito são porta para o sucesso do atendimento mesmo com a alta dos preços”, finaliza.
Werekson Pablo, proprietário do salão e a cliente Isabella Silva
            Também com a mesma linha de pensamento que Liliane e Lucilene, Werekson Pablo, cabeleireiro e dono de um salão de beleza, afirma que o aumento dos preços não influencia diretamente em seu trabalho. Ele, que trabalho há 10 anos no ramo, diz que quando os preços dos produtos que utiliza no salão sobem precisa aumentar o preço dos serviços oferecidos mas que a maioria dos clientes não reclama.          
            Segundo Werekson, a procura por serviços relacionados à beleza está cada vez maior tendo em vista que as pessoas estão mais preocupadas com a aparência. “Hoje o mercado de trabalho, principalmente, exige uma boa aparência e você tem que estar apresentável”, comenta.
            Werekson ainda diz que principalmente a televisão tem divulgado um estereótipo de beleza que as pessoas, até inconscientemente, estão tentando seguir. “Os novos padrões de beleza fazem com que a procura, mesmo com a alta dos preços, continue grande”, comenta. Mas, mesmo que a maioria não se importe muito, existem aqueles que não gostam e para evitar conflitos e reclamações, Werekson conta que antes de subir os preços avisa aos clientes. “Um tempo antes de aumentar os preços coloco um aviso no salão que haverá reajuste para os clientes se acostumarem com a ideia e não serem surpreendidos pelo aumento”, finaliza.


O que pensam os consumidores
           
Foto Marcus Santiago
            Já que os preços dos itens de cuidados pessoais e saúde aumentaram, a opinião dos consumidores mostra se esse aumento interferiu de fato nas vendas.
            Dalila Almeida diz que percebeu que os preços subiram, mas mesmo assim não deixa de comprar. “Sempre comprei produtos de beleza por gostar de cuidar de mim e não acho que o aumento seja prejudicial uma vez que cuidar da aparência e da saúde é essencial”, afirma. Já Esther Ângelo diz que o aumento não é bom, mas não tem como parar de compar. “Embora eu considere esse itens supérfluos, não deixo de compar. O que faço é procurar outra marca e até diminuir a quantidade, mas parar totalmente não dá,” afirma.
            Para Claudio Silveira as mulheres não deixam de comprar produtos de beleza e cuidar da aparência. Segundo ele, elas não conseguem viver sem um produto de beleza sequer. “As mulheres podem até ficar sem se alimentar direito, mas não deixam de cuidar da aparência” comenta. 
            Eliza Sousa concorda com Claudio e ainda diz que produtos de beleza são essenciais para as mulheres. “manter um aparência bem cuidada é importante para qualquer mulher e não há aquela que não se preocupe com isso”, finaliza.

Organização e disciplina otimizam o uso do tempo e “aumentam” o dia

Por Bruno Ribeiro e Marcelo Alvarenga

Nos últimos anos, tem-se a sensação de que os dias estão mais curtos, que não há tempo para fazer nada além das tarefas do dia-a-dia. Circula inclusive pela Internet, uma teoria que realmente o dia está mais curto, em vez de 24 horas, teria 16, isto explicaria a escassez de tempo que todos sentem. Isto foi até reforçado pelos estudos que fizeram depois do terremoto do Japão, que teria deslocado o eixo da Terra em alguns milésimos de graus, o que fez com que os dias ficassem um milésimo de segundo mais curto.

Especulações e teorias à parte, a psicóloga clínica, psicanalista e mestre em Educação, Alessandra Santos, diz que a queixa é comum em seu consultório e quem reclama mais são os adolescentes. “Eles têm sempre a desculpa que não podem estudar porque estão sem tempo”, acrescenta. Ela salienta que para Freud e Lacan, o inconsciente é atemporal. “A psicanálise não trabalha com o tempo cronológico, o tempo real”. Alessandra pede para que os adolescentes anotem tudo que fazem diariamente, é o chamado Quadro de Rotinas. Durante uma semana o paciente anota o que fez durante o dia, em todos os detalhes: sono, estudo, lazer. A partir daí, a psicóloga sugere uma melhor organização e disciplinarização do tempo e de cada atividade. Ela faz questão de destacar que cada pessoa tem uma rotina, portanto tem uma organização diferente. “Na verdade não existe uma fórmula mágica para tal”, completa.

O empresário Ronaldo Andrade, 52, (foto) diz ter a impressão que o tempo passa mesmo mais depressa. Ele não tem uma rotina específica, mas acorda todo dia às 5h30 da manhã, “de segunda a segunda”, faz questão de destacar. Ronaldo tem uma agência de compra e venda de caminhões, uma pequena transportadora e uma propriedade rural no município de Carrancas, onde cria gado de corte e planta eucalipto. “Meu filho Tiago ajuda na administração, mas no final sou que faço quase tudo”, diz. Andrade viaja para comprar caminhões e gado, faz uma caminhada de seis quilômetros no fim da tarde e ainda gerencia seus empreendimentos. “As outras atividades vou encaixando no tempo que sobra durante o dia. Vou na fazenda de vez em quando, o dia-a-dia é aqui em São João mesmo, nessa correria”, diz. O empresário não sabe se está certo ou errado não planejar suas atividades, “mas está dando certo e não vou mudar. Tenho meu patrimônio devido a meu esforço e perseverança e dou muito valor ao que possuo”, finaliza.

Já o estudante do terceiro período de Ciências da Computação, Leonardo Gonçalves, 18, diz ter se organizado “na marra”. Ele conta que quando entrou na faculdade ainda tinha a rotina bem descontrolada. “Talvez porque até no ensino médio, a gente é mais relaxado”, justifica. Depois de ser reprovado em algumas disciplinas no 1º período do curso, o estudante decidiu organizar a sua rotina. “Agora melhorei as notas, tenho tempo para jogar bola, curtir uma balada e até pegar algum bico”, comemora. Segundo ele, a tática é anotar as metas de ações do dia e manter o foco no que está fazendo em cada momento.

Para o estudante de Letras e bolsista de Iniciação Científica, Nilton da Silva Júnior, “cronometrar as ações é o segredo. Essa é a melhor maneira de se usar o tempo a seu favor. Se você fizer uma escala, dedicando cada hora de seu dia a determinado assunto, você observará seu rendimento”. Ele diz que dedica a manhã à sua graduação, fazendo estágios e tarefas acadêmicas. À tarde, se concentra no projeto de iniciação científica. Nesse período, ele lê a bibliografia e escreve o trabalho.

Já para a professora do curso de Letras, Suely da Fonseca Quintana, “a organização do tempo é fundamental para as atividades de trabalho, já o tempo das vivências, o tempo de nossa vida é outro caso”. Ela aconselha o uso de uma agenda, “assim o tempo permanece organizado e você não esquece seus compromissos”, declara a professora. Suely ainda pontua que outra forma é colocar os assuntos em ordem de prioridade: os mais importantes devem ser resolvidos primeiro, assim o tempo não acumula e os trabalhos não ficam todos para a última hora.



Cursos a distancia exigem maior dedicação e disciplina do aluno


Marcelo Alves Vinicius Tobias

“O ensino a distância me exigiu muito mais dedicação do que os dois cursos de graduação que fiz na modalidade presencial. Espera-se, do aluno, maior disciplina e compromisso com as matérias e atividades, além de desenvolver a autodidática”, conta o pós-graduado em Gestão de Pessoas e Projetos Sociais da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Denilson da Mata.
O coordenador do pólo da Universidade Paulista (UNIP) em São João Del Rei, Rafael Luiz Resende Pires, conta que o perfil dos alunos que se matriculam em cursos a distancia é muito variado. “Temos desde recém-formados a aposentados”, comenta. Mas ressalta que o aluno de EaD tem sua própria metodologia de ensino. “Por mais que tenhamos um sistema de apostila, vídeos, tutorias, debates online e todo um material, ele precisa ser dedicado”, enfatiza.
“Mercado está de olho nos alunos graduados no EaD porque eles têm maior autonomia de aprendizado”, garante a tutora de Administração, Gestão de Marketing e Contabilidade, Raquel Alessandra de Sousa. O coordenador do pólo da UNIP acredita que o ensino a distância está se fortalecendo, ganhando mais alunos no mercado e “sendo bem recebido pelos empregadores. Tenho alunos de graduação que tiveram bom desenvolvimento no mercado de trabalho, que estão muito bem”, afirma Rafael.

Apoio e interatividade

Os alunos não estão sozinhos no aprendizado. Eles recebem apoio de tutoria presencial, eletrônica, além de aulas gravadas e fóruns de discussão. “As vídeo-aulas são preparadas por professores acadêmicos que montam slides e explicam o conteúdo, como se estivessem falando em sala”, informa Alessandra de Sousa.
O aluno de administração empresarial, Hugo Silva Nogueira, diz que nunca teve dificuldades com o curso pelas diversas opções de acompanhamento online. “Creio que o nível de dificuldade para o aluno que estuda sozinho é um pouquinho maior, mas o acompanhamento da coordenadoria do curso é muito bacana, sempre dão atividades e material para os alunos. Estou gostando bastante”, avalia o graduando.
A pós-graduanda em Especialização em Ensino de Línguas Mediado por Computador na UFMG, Dalila Débora Rios Carvalho, argumenta que teve preconceito no início. No entanto, o curso mudou sua opinião. “Temos mais recursos visuais também, facilmente, a um clique. Temos muito tempo para refletir sobre determinado assunto, e uma palavra não é perdida facilmente como na sala de aula, está tudo lá para eu consultar quando quiser. O curso atende muito às minhas expectativas”, declara Dalila. E completa: “se compararmos com uma sala de aula comum, há muito mais interação, considerando-se interação quando um escreve e outro comenta”.


Flexibilidade
Muitos alunos têm um curso superior e querem complementar a formação e acham mais fácil fazer um curso à distância. Outros buscam flexibilização para estudar em casa na hora mais adequada. Denilson da Mata afirma que o principal motivo que o fez optar pelo EaD foi “a possibilidade de poder fazê-lo em horários diferenciados, além é claro da mobilidade”, diz.
A pós-graduanda da UFMG acredita que a flexibilidade não torna o curso mais fácil. “Apesar de não ter horário marcado para as aulas, temos que fazer postagens nos fóruns ou discussões, atividades para serem feitas semanalmente, e temos que participar comentando”, informa Dalila Rios.

Onde cursar
As principais instituições de Ensino a Distancia em São João são UNIP e UFSJ. O coordenador do pólo UNIP, Rafael Luiz Resende Pires, informa que a instituição tem em torno de 85 alunos “e estamos ampliando nosso espaço para comportar as exigências laboratoriais do Ministério da Educação”, garante. A UNIP possui diversos cursos superiores que podem ser realizados a distancia. Para a lista completa, consultar o site: http://www.unipinterativa.edu.br/.
A UFSJ possui o Núcleo de Ensino a Distancia (Nead). Os cursos oferecidos são Bacharelado em Administração Pública. Licenciatura em Pedagogia e Licenciatura em Matemática. Além de especializações em: Práticas de Letramento e Alfabetização, Educação e Empreendedorismo; Matemática; Mídias na Educação; e Dependência Química.
O coordenador do Nead, Heitor Antônio Gonçalvez, conta que há 26 pólos do Núcleo, sendo 2/3 deles em Minas Gerais e 1/3 em São Paulo. “Os pólos são abertos em uma parceria com a Prefeitura, que garante a estrutura. Os pólos do têm sala de informática, sala de aula biblioteca, além de banheiro cozinha e sala de estar, e funcionários”, descreve Heitor.
Ele diz que o objetivo do Nead é atender lugares onde não há instituições de ensino superior. “Atingir pessoas, em situações geográficas que não podem estudar na federal, e nem ter outro tipo de formação superior gratuita”, diz.

FOTO – Marcelo Alves. Laboratório de apoio da UFSJ
VÌDEO – Marcelo Alves. O coordenador de Tecnologia do Nead conta como funcionam as plataformas de interação online.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inaugurada a sede do CURAR em São João del-Rei

Programa utiliza a metodologia da APAC para reeducação de detentas
Ayalla Nicolau e Rafaela de Aguiar


Inaugurada hoje a sede feminina do Programa de Custódia, Reintegração e Assistência ao Recuperando do Governo de Minas (Curar) em São João del-Rei. O prédio, localizado na Rua José Resende Campos, 527, bairro Jardim Paulo Campos, tem capacidade para receber 35 recuperandas e utiliza a metodologia da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), que emprega diversas atividades, como oficinas de artesanato e curso supletivo. “No presídio essas mulheres são cuidadas pelos agentes. Aqui é diferente. Não entra arma, elas cuidam de si mesmas, é uma forma de valorização humana” explica a gerente da unidade, Margarete de Carvalho. Estiveram presentes Antônio Carlos de Jesus Fuzzato (presidente da APAC), o Bispo Dom Célio de Oliveira Goulart, além do juiz Ernane Barbosa Neves, da Vara de Execução Penal da comarca.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Exposição trata da modificação do espaço na arquitetura

Luciana Arruda e Wanessa Fagundes

Aberta hoje, no Solar da Baronesa, a exposição-intervenção dos alunos do 1° período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFSJ, denominada “Além dos Edifícios”. Os alunos utilizaram materiais recolhidos em ferro velho, como banheiras e máquinas de costura antigas, além de outros objetos do cotidiano para compor o espaço. Falando sobre o trabalho, os alunos Lygia Agostini, Roberto Miranda e Luis Filipe Louzada concordam que aprendem a lidar com as dificuldades do trabalho, do tempo e as restrições do espaço.
O professor Gedley Braga explica que a intervenção é denominada “site especific”, pois são feitos sob medida para um lugar específico e estão em diálogo com o espaço. Gedley explica que há uma inversão no processo de criação, os alunos expõem os trabalhos e depois os transformam em projeto.
A intervenção pode ser vista até o dia 12 de junho.

Programa prioriza formação internacional dos profissionais brasileiros


A Assessora de Assuntos Internacionais da UFSJ, Adelaine La Guardia, participou hoje, no Ministério da Educação, em Brasília, da apresentação do programa “Ciência sem fronteira”. De acordo com os ministros Fernando Haddad, da Educação, e Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, o projeto pretende enviar até 2014, 75 mil estudantes ao exterior.

Segundo Adelaine, do total de bolsas, 28 mil serão destinadas à graduação e o restante à pós-graduação, em nível de doutorado e pós-doutorado. “É muito importante entender que este programa está dirigido, prioritária, mas não exclusivamente, para as áreas de Ciências Exatas e Tecnológicas, principalmente as engenharias, uma vez que estas são consideradas pelo governo áreas estratégicas ao desenvolvimento do país”.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Equilíbrio no consumo de sódio é fundamental

Ingrid  Andrade e Natália Silva

Ao comer uma única porção de macarrão instantâneo com tempero, a pessoa está ingerindo 167% do sódio recomendado para ser consumido durante todo dia. Algumas marcas de batata industrializada apresentam até 14 vezes mais sódio do que o recomendável. Os números são da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que confirmam dados da Organização Mundial da Saúde (OMS): a população está ingerindo muito mais sódio do que a quantidade recomendada, o que pode acarretar diversos tipos de doenças.  
Os grandes vilões do sódio
Segundo orientação da OMS, o consumo diário de sódio deve estar entre 2,0 e 2,4 gramas da substância. Isso corresponde a 5 gramas de sal de cozinha, o que, em quantidade, representa uma colher de sobremesa. Contudo, a média diária de consumo da população brasileira é de 12g. Para o cardiologista Fausto Régis, a grande quantidade de sódio ingerida pelos brasileiros está intimamente relacionada ao consumo de produtos industrializados.  “Os produtos industriais têm muito sódio e às vezes consumimos sem saber, por falta de informação”, afirma.
A ingestão excessiva do sódio, presente em grande parte dos alimentos, pode acarretar doenças como, insuficiência renal e hipertensão, com risco de evoluir para problemas cardiovasculares, como enfarte e acidentes vasculares encefálicos, conhecidos como derrames. De acordo com o cardiologista, “a hipertensão é, de longe, o fator que mais influencia o surgimento de problemas cardiovasculares. A elevação da pressão em maior grau faz com que adoeçam o coração, os rins, a circulação como um todo”.
Informações divulgadas no site da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) revelam que 30% da população brasileira sofrem com a hipertensão. Fausto Régis comenta que a cidade de São João del-Rei reflete muito bem essa característica, uma vez que cerca de 60% dos pacientes da clínica onde trabalha apresentam quadro de hipertensão. “O número de hipertensos aumenta cada vez mais porque a população está cada vez mais sedentária. Aliado a isso, os péssimos hábitos alimentares propiciam a obesidade, que é um fator determinante para a hipertensão”, afirma o cardiologista. Ele explica que a doença, no estágio inicial, é assintomática. “Isso é preocupante porque o indivíduo sofre do mau, mas não sabe. O pior é que a hipertensão está atrelada a outras doenças. O consumo de sódio em excesso provoca a hipertensão, que abre o leque para doenças mais sérias”, afirma.
Fausto Régis aconselha a redução do consumo de sal, o uso de saleiros nas mesas e diminuição da ingestão de alimentos industrializados ricos em sódio. “Não peço que as pessoas deixem de usar o sal, até porque um pouco de sal é necessário. O sal que utilizamos em casa, por exemplo, é enriquecido com iodo, essa substância é necessária para o bom funcionamento da tireóide. O sal iodado foi uma forma que se encontrou para combater doenças da tireóide”, explica.
Sobre o tratamento das doenças provocadas pelo consumo excessivo de sódio, o cardiologista afirma que existem dois tipos, o não medicamentoso e o medicamentoso. “O tratamento não medicamentoso consiste na mudança de hábito, que é o mais importante. Hoje em dia é importante cultivar um hábito de vida mais saudável, principalmente entre as crianças para iniciá-los a práticas saudáveis. Atividade física, e uma alimentação equilibrada são essenciais. Quanto menos ingestão de produtos industrializados, menor a chance de ingerir quantidades de sódio acima da recomendação”, assegura o cardiologista. O método medicamentoso se restringe ao uso de remédios, posterior a uma avaliação médica.
Fausto alerta que uma má alimentação na infância é fator de risco. Para o médico, a grande ingestão de sódio nessa fase terá conseqüências mais tarde, quando graves problemas, como lesões em órgãos nobres estejam em estágios avançados em decorrência da hipertensão instaurada. “Nos EUA, uma em cada três crianças estão acima do peso ou em estado de obesidade e o Brasil caminha pra isso. Frituras, alimentos calóricos, industrializados, ricos em sódio e açúcar, oferecem graves riscos à saúde”, acrescenta.

Modificações no consumo

O estudo desenvolvido pela Anvisa verificou a quantidade de sódio, gordura saturada, gordura trans e açúcares em mais de 20 categorias de alimentos industrializados. Contudo, o que mais se destacou foi a presença de sódio nos vários tipos de alimentos. Na batata palha, o percentual da substância pode variar em até 14 vezes de marca para marca.  Já nos salgadinhos de milho, essa diferença chega a 12,5. O caso do macarrão instantâneo com tempero também chamou atenção pela grande quantidade de sódio encontrada.
A nutricionista Fernanda Sion Muffato de Souza ressaltou que o consumo da população está muito além do recomendado e indica algumas modificações, por exemplo, o sal de cozinha pode ser substituído pelo gersal, um tempero feito à base de gergelim e uma pequena quantidade de sal marinho. “É necessário reduzir o consumo de sódio, ingerindo-o de uma forma mais natural. Usar temperos naturais como o alho, a cebola, o manjericão e o orégano podem substituir muito bem os temperos artificiais. Além disso, temperos caseiros dão mais sabor à comida”, exemplifica Fernanda.
São muitos os alimentos com alto teor de sódio, por exemplo, refrigerante, principalmente os diets e lights por causa dos adoçantes artificiais, maionese, ketchup, sopas, caldos, temperos, macarrão instantâneo, biscoitos recheados, condimentos, embutidos (lingüiça, salsicha, presunto, mortadela), bife de hambúrguer, batata palha, pizza, salgadinho chips, enlatados, a lista não para de crescer. Além desses, existem outros que têm o sódio em sua composição e, no entanto, não reconhecemos o sabor, como, o leite e a carne. De acordo com a nutricionista, a quantidade de sódio em um tablete de caldo knnor é superior ao valor diário de consumo de um indivíduo adulto.
A determinação do Ministério da Saúde define o teor máximo de sódio que cada cem gramas em alimentos industrializados podem apresentar. Algumas metas devem ser cumpridas pelo setor produtivo até o final de 2012 e aprofundadas até 2014. Para as massas instantâneas, a quantidade fica limitada a 1,9g até o ano que vem, o que representa uma diminuição de até 30% aos valores atuais, já que há variação da concentração do componente entre as diversas marcas. Já os pães de forma podem ter, no máximo, 645 miligramas de sódio até 2012, e 522 miligramas até 2014. Para as bisnaginhas, o limite será de 531 e 430 miligramas, nas mesmas datas. Essas metas correspondem a uma redução de 10% ao ano. Outros produtos, como pratos e temperos prontos, também entrarão na lista, pois contêm conservantes à base de sódio.
 Para Sion, a solução é uma reeducação alimentar e uma fiscalização à industria alimentícia no sentido de diminuir a quantidade de sódio nos alimentos. “O sódio é usado em grande quantidade para conservar o produto. Quanto mais sódio for adicionado, mais o produto vai durar”, afirma. Outra iniciativa seria a criação de campanhas, uma maior informação ajudaria na mudança dos hábitos alimentares. Enquanto isso não é feito a nutricionista recomenda evitar produtos de prateleira e embutidos, e, quando consumir, que seja com moderação.
Assista o vídeo com as recomendações do cardiologista Fausto Régis


terça-feira, 31 de maio de 2011

Curso de Comunicação Social da UFSJ lança agência de notícias regional

Ana Pessoa Santos e Renato Brunelli Caldas
colaboraram Luis Gustavo Santos e Violeta Cunha



O jornalismo da região das Vertentes ganhou força na última segunda-feira, 23.  Em uma solenidade no Anfiteatro do Campus Tancredo de Almeida Neves (CTAN), o curso de Comunicação Social da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) lançou a Vertentes Agência de Notícias (VAN). Na mesma ocasião, iniciou-se um concurso para a criação da logomarca da mesma.

O evento contou com a presença do reitor da UFSJ Helvécio Luiz Reis, da Diretora de Assuntos Comunitários Thelma Valéria de Resende, do coordenador do curso de Comunicação Social Jairo Faria Mendes, da coordenadora do projeto professora Filomena Maria Avelina Bomfim, da editora da Agência professora Luciene Tófoli e do sub-editor de internacional do jornal Estado de São Paulo, Cristiano Dias Barbosa.

Segundo a professora Filomena, “a intenção é que ela seja uma agência regional com angulação internacional”. O projeto tem como objetivo valorizar o jornalismo regional e estimular a produção de informações locais, dar suporte aos jornais da região, fazer a angulação de fatos internacionais para a realidade local, estimular a cultura local e o reconhecimento de sua identidade, e proporcionar a prática jornalística aos alunos vinculados às disciplinas Jornalismo Internacional e Jornalismo Regional.
A ideia de montar uma agência de notícias regional surgiu no ano passado, quando a primeira turma do curso de Comunicação Social da UFSJ cursou a disciplina Jornalismo Internacional com a professora Filomena. Na época, uma parceria com o Jornal das Lajes possibilitou a divulgação da agência através de um link no site do periódico de Resende Costa.

A partir de agora, a VAN é reconhecida oficialmente como um projeto voluntário de extensão da UFSJ e ganhará um site próprio após a criação de sua logomarca. “É um momento de muita satisfação para a Pró-Reitoria de Extensão. O projeto não foi agraciado com bolsa e mesmo assim a professora o desenvolveu”, comenta Thelma. Ela ainda ressalta que o projeto irá gerar várias oportunidades extracurriculares aos alunos.
O reitor da UFSJ ressaltou a importância do projeto. Segundo ele, é fundamental que os fatos que acontecem na universidade e na região também sejam divulgados. Ele aproveitou a oportunidade para dizer que o Consórcio das Universidades Federais Sul-Sudeste de Minas, do qual a UFSJ participa, receberá R$ 20 milhões do Governo Federal.

Concurso
O concurso para criação da logomarca da VAN é aberto a todos os alunos de Jornalismo da UFSJ. Aqueles que se interessarem em participar devem entregar um CD ou DVD da imagem em arte final até o dia 30 de junho na sala 2.01 RE no CTAN, de 18h às 19h. “A intenção desta logomarca é que ela reflita exatamente toda a idealização que a agência de notícias traz”, destacou a professora Luciene Tófoli, editora da agência.

O resultado será divulgado no dia 16 de agosto e os três primeiros colocados serão premiados. O primeiro colocado será contemplado com uma visita à redação do jornal Estado de São Paulo. O segundo lugar ganhará um curso online no site Comunique-se, e o terceiro receberá um livro.

Jornalismo Internacional
No lançamento da VAN, o jornalista Cristiano Dias Barbosa, falou sobre sua experiência com o jornalismo internacional. Formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Cristiano destacou que um dos grandes desafios para quem trabalha no setor é a segurança. Como a maioria dos correspondentes está em outros países e, normalmente, cobre situações de conflito, como guerras, revoltas, é preciso saber aonde ir e com quem conversar. Há muitos casos de jornalistas seqüestrados e até mortos durante as reportagens.

Dentre as dificuldades, o jornalista citou a de encontrar fontes para as matérias. “É difícil fazer as fontes da estaca zero em um lugar que você nunca esteve antes”, disse. Cristiano observou também que é essencial o conhecimento de outras línguas e também de história, principalmente da contemporânea, o que ajuda a entender muito sobre do que acontece na conjuntura internacional.

Sobre a verticalização da cobertura, o sub-editor frisou que há uma visão eurocêntrica do mundo. Segundo ele, se houver um acidente num país europeu com sete mortos e um terremoto no oriente com mais de cem vítimas, o primeiro será manchete.

Cristiano Dias Barbosa começou sua carreira no jornal O Tempo, em Belo Horizonte. Trabalhou nas revistas Vogue, Quatro Rodas, Veja, Trip, Playboy, entre outras. Atualmente, ele é subeditor de internacional do jornal O Estado de São Paulo.


Assista a trechos da palestra aqui.


Consórcio das Universidades

O reitor aproveitou o momento para anunciar que o Governo Federal investirá no Consórcio das Universidades do Sul-Sudeste de Minas R$20 milhões além do que cada instituição já recebe e que a cidade de Caxambú seria a sede administrativa. O consórcio reúne sete universidades federais do estado, a UFJF de Juiz de Fora, a UFV de Viçosa, a UFLA de Lavras, a Unifal de Alfenas, a Unifei de Itajubá, a UFSJ de São João del-Rei e a UFOP de Ouro Preto e tem como objetivo principal facilitar a mobilidade da comunidade acadêmica entre as instituições.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Acidentes de trânsito em São João del Rei crescem 20% em um ano

Por Laura V. Gouvêa e Lívia G. Carvalho

O número de acidentes no trânsito em São João del Rei aumentou 20,48% em um ano, de acordo com o 38° Batalhão de Policia Militar. De janeiro a abril de 2010 foram registrados 166 acidentes, enquanto no mesmo período deste ano, este número chegou a 200.

Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN, em 2009, já circulavam na cidade 30 mil veículos, entre carros, motos, caminhões e ônibus. De acordo com o Censo 2010, a população de São João del Rei aumentou 7,35%, chegando a 84.404 habitantes. Esse crescimento populacional pode ser notado no trânsito da cidade, que também teve um aumento no número de veículos.

Esta expansão no trânsito local já causa vários problemas, pelo menos é isso que o mototaxista há 15 anos Clésio Rogério de Resende, afirma. “O trânsito em São João del Rei precisa melhorar os sinais e os estacionamentos que não tem”. Já Pablo Diogo Guimarães que utiliza sua moto apenas para ir trabalhar observa outros problemas no trânsito da cidade: “São João del Rei não pune quem desobedece as leis de trânsito. É possível observar várias infrações acontecendo sem que nenhuma medida seja tomada. Esta falta de punição faz com o que trânsito se desorganize e não se estruture como deveria ser” afirma o auxiliar de dedetizador.

Para o secretário de planejamento, orçamento, avaliação e trânsito de São João del Rei, José Egídio de Carvalho, o problema não é exclusivo da cidade. “A melhor solução seria a melhora do transporte público. Isso incentivaria as pessoas a deixarem seus carros na garagem e andarem de ônibus” afirma o secretário. “Outro fator que faz com que o trânsito local se torne cada vez mais desestruturado é o fato de São João del Rei ter se tornado uma cidade-pólo, receber muitos estudantes todos os anos, e acolher pessoas de cidades vizinhas que vêm para cá diariamente e além, é claro, de ser uma cidade turística que tem um grande número de turistas no trânsito”, afirma José Egídio de Carvalho.

Para tentar encontrar uma solução, o secretário revela que um estudo está sendo feito por uma empresa especializada, no sentido de melhorar o fluxo, a segurança e a fluidez dos veículos quem vêm crescendo muito na cidade.

Decisão do Supremo Tribunal Federal fortalece a causa LGBT

Thayná Faria e Rômer Castanheira

O auxiliar administrativo, Anderson Magalhães, 27, e o operador de telemarketing, Yan do Carmo, 21, que namoram há um ano e meio, já tem planos para o futuro: morar juntos e oficializar a união perante a justiça, o que seria impossível até um mês atrás, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável também para os casais homossexuais. Yan acredita que o fato é “uma grande conquista. Com isso a cada dia vamos conseguindo conquistar o nosso espaço. [A decisão] Nos dá o direito de sermos respeitados pelas pessoas, que nos possam ver não apenas como parceiros mais sim como um casal”, afirma.

Carlos Bem, presidente do MGRV
Carlos Bem, presidente do movimento gay da Região das Vertentes (MGRV), acredita que a decisão é um exemplo para o mundo. “Hoje é a suprema corte do país que assina embaixo confirmando que nossa luta é legítima e tem base na Constituição. É a suprema corte do país reafirmando que nós temos, sim, direitos negados e estamos numa condição de subcidadania e que isso não pode acontecer num país que se diz democrático”, afirma.

A decisão do STF faz com que a união homoafetiva seja reconhecida como uma entidade familiar e, portanto, regida pelas mesmas regras que se aplicam à união estável dos casais heterossexuais. Para Carlos, um avanço e fortalecimento da luta dos grupos LGBT organizados. “Somos família. Do nosso jeito, da nossa forma de amar, da nossa forma de ser. Isso é família. Antes da decisão do STF nossas uniões eram consideradas sociedade, como se eu e meu companheiro tivéssemos aberto uma empresa e registrado no cartório. Esse procedimento não garantia igualdade de direitos. Em caso de separação não era julgado na Vara de Família, não eram garantidos os direitos civis. Era apenas um procedimento administrativo usado para questionar depois judicialmente todas as questões envolvendo essas uniões”, diz.

O casal Anderson e Yan
Com a decisão do Supremo, inscrever-se em programas do Estado vinculados à família, ter licença maternidade para o nascimento do filho da companheira e poder incluí-la (o) como dependente no plano de saúde são alguns dos benefícios conquistados por casais homossexuais, que antes tinham 78 direitos a menos. Entretanto, ainda há limitações, como por exemplo, em relação ao casamento civil, reservado apenas a casais heterossexuais. E de acordo com Carlos Bem, homossexuais, que optarem pela união estável, não podem adotar o sobrenome do parceiro, direito garantido – embora opcional – para heterossexuais na mesma condição.

Anderson e Yan esperam que a decisão do Supremo sirva também para uma outra conquista, diminuir os casos de homofobia que, até hoje, não é considerada como crime no Brasil. “Acredito que sim [que casos de homofobia diminuam]... Algumas pessoas mesmo que não entendam os homossexuais, irão nos respeitar pela lei”, diz Anderson.


I Marcha contra homofobia em São João Del-Rei

No último dia 17 de maio, aconteceu em São João Del-Rei, a I Marcha Municipal Contra homofobia. Os militantes, que partiram da Avenida Presidente Tancredo Neves em direção a Prefeitura Municipal, reivindicaram a criação de uma Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania além da execução de políticas de defesa e proteção dos direitos de grupos minoritários. A data da manifestação é um marco para o Movimento LGBT, pois, nesse dia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do Código Internacional de Doenças. Em São João Del-Rei, a data foi instituída como Dia Municipal Contra a Homofobia . No dia seguinte os militantes seguiram para Brasília onde aconteceu a II Marcha Nacional Contra a Homofobia.

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